Nota da Secretaria Geral da Intersindical sobre a abertura do processo de impeachment

Postado: INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

Impeachment002O impeachment da presidente não é uma medida para beneficiar o povo brasileiro. Ao contrário, o “fora Dilma” permitiria a Temer aplicar o programa que o PMDB negociou com o grande capital, como aposentadoria só depois dos 65 anos (60 se mulher) e desvinculação da aposentadoria ao salário mínimo, terceirização geral, prevalência do negociado sobre o legislado que acaba com os direitos trabalhistas, fim da destinação constitucional de verbas para a saúde e educação públicas.

Quem deve ser impedido de prosseguir no cargo é Eduardo Cunha, que não tem legitimidade para ser presidente da Câmara. “Seus” milhões na Suíça, suas mentiras e chantagens provam isso. Sem falar de sua atuação para acabar com os direitos trabalhistas, das mulheres, da juventude pobre, dos indígenas.

Ser contra o impeachment da presidente não significa apoiar o governo e sua política indefensável. É preciso derrotar o processo de impeachment, mas também combater o ajuste fiscal do governo Dilma que joga a crise nas costas do trabalhador.

A maioria do povo brasileiro tem razão para estar enfurecida com a presidente. Por isso, devemos fazer pressão total pela reversão dessa política recessiva, que eleva o desemprego, destrói políticas públicas e leva milhões de pessoas ao desespero. Mas não podemos nos deixar enganar por uma campanha orquestrada para impor um governo ainda mais comprometido com os interesses antipopulares.

Essa campanha da direita não visa acabar com a corrupção no Brasil ou punir a chamada “pedalada fiscal”. Objetiva, na verdade, garantir renda pública e do trabalho para restabelecer a acumulação expandida do grande capital, mesmo que isso signifique ampliar a exploração sobre o povo e agravar a crise social.

Indio IntersindicalEdson Carneiro Índio

Secretário Geral da Intersindical – Central da Classe Trabalhadora

7 de dezembro de 2015 at 11:59 pm Deixe um comentário

Projeto de reorganização das escolas de São Paulo será adiado por um ano

Por: Brasil de Fato – Da Redação

Após mobilizações dos estudantes contrários à medida, governador suspende medida que fecharia 94 escolas.

ESTUDANTES

O Governador Geraldo Alckmin recuou com o projeto de reorganização do ensino estadual nesta sexta-feira (04). Em coletiva, o governante afirmou que irá adiar o processo durante um ano e que irá “aprofundar o diálogo” em 2016.

“Entendemos que devemos aprofundar o diálogo. Isso fecha um ciclo que permite a gente ajudar no ensino infantil. Vamos dialogar escola por escola. O ano de 2016, que será o ano de implantação, será o ano de aprofundar o diálogo. Alunos vão continuar na escola que já estudam, não haverá mudança”, disse Alckmin.

A decisão ocorreu após os estudantes, contrários à medida, ocuparem mais de 195 escolas no estado, além de realizarem atos e manifestações. O pronunciamento de Alckmin ocorre no dia em que o instituto Data Folha publicou uma pesquisa onde sua popularidade atingiu o menor nível nos dez anos.

Durante o pronunciamento, Alckmin leu uma frase do Papa Francisco. "Sempre que perguntado entre a indiferença egoísta e o protesto violento, há uma solução sempre possível, o diálogo". O Governador encerrou seu pronunciamento e não concedeu entrevista aos jornalistas presentes.

Repressão

No mesmo dia do anúncio do governador, a Polícia Militar reprimiu com bombas de gás lacrimogêneo estudantes que manifestavam contra o projeto de reorganização escolar na Avenida Faria Lima. A manifestação seguiu até a Avenida Paulista, onde sofreu mais repressão da PM, encerrando em frente à secretaria de educação.

4 de dezembro de 2015 at 8:34 pm Deixe um comentário

‘O PT colhe o que deixou de plantar’, diz Guilherme Boulos

Por: REDE BRASIL ATUAL

Em entrevista à RBA, o líder do MTST defende que é urgente o governo pautar reformas estruturais – política, tributária, urbana – para avançar em novo ciclo de conquistas e não permitir retrocessos

por Sarah Fernandes, da RBA – Fotos: Gerardo Lazzari / RBA

Guilherme Boulos

Boulos: "Não quero ser confundido com aqueles que dizem que o governo do PT é um retrocesso"

São Paulo – A crise econômica mundial, somada ao tensionamento de forças políticas e a um modelo de ascensão social pautado no consumo levou ao limite a "política do consenso" implementada pelo governo PT nos últimos 12 anos. "Agora é a hora de pautar reformas estruturais ou retroceder", alerta o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), Guilherme Boulos, em entrevista exclusiva à Rede Brasil Atual. "É impossível, em uma sociedade de classes, fazer mudanças sem conflito. De algum modo, o PT ajudou a criar esse antipetismo de direita. O PT colhe o que deixou de plantar."

Os limites das políticas petistas, o papel dos movimentos sociais e o acesso democrático à cidade foram os temas principais da conversa, em um café, no centro de São Paulo. "Do jeito que as coisas estão, só é perigoso conversarmos aqui e alguém vir dizer que estávamos em Paris!", brincou, antes no início da entrevista. Por muitas razões, a chamada "direitização do senso comum" é um dos temas centrais do seu novo livro, "De que lado você está?", que será lançado na quarta-feira (10) pela editora Boitempo, durante o Colóquio Internacional Cidades Rebeldes. "Tem uma turma alucinada chamando o PT de bolivariano. Antes fosse!", brincou.

"Aí entramos em uma situação preocupante: o quanto é atrasada a elite brasileira. O quanto não aceita nenhum tipo de concessão. Pobre andar de avião? Preto na universidade? Empregada doméstica com direito trabalhista? Não pode! Essa mentalidade escravocrata está semeando um cenário de ódio. Precisamos construir uma saída ao esgotamento do modelo petista, mas quem está canalizando esse discurso de insatisfação é o setor mais conversador, reacionário, de ultradireita."

Confira a entrevista na íntegra:

Já na apresentação do livro, o sr. afirma que o PT optou pela estratégia da chamada "política do consenso", sem romper com estruturas tradicionais. Qual é a capacidade real de um partido que assume o governo de fazer essas rupturas?

Um partido, quando entra no governo, precisa também incidir na relação de forças da sociedade. Foi isso que o PT não fez. Só buscar uma composição com as forças existentes para estruturar a governabilidade, sem iniciativas políticas que façam o enfrentamento, dá no que deu: depois de 12 anos de PT, nós temos uma direita mais forte, uma sociedade mais conservadora e uma despolitização reinante. Isso não quer dizer, evidentemente, que não houve avanços. Não quero ser confundido com aqueles que dizem que o governo do PT é um retrocesso. Os avanços, do ponto de vista de programas sociais, de acesso ao consumo dos mais pobres, de reorientação do orçamento com maior investimento social, são inegáveis. Mas também foram insuficientes, porque não alteraram a relação de forças.

O que deveria ter sido feito na prática para alterar essa relação de forças?

Vamos tomar um exemplo: o Hugo Chávez chega ao governo na Venezuela numa relação de forças desfavorável. E cede no começo. Ele fez um ajuste fiscal severo no seu primeiro ano, mas também criou uma relação de forças. Fez a disputa no seio da sociedade: foi para cada município venezuelano e buscou fortalecer conselhos populares, a auto-organização, os movimentos sociais e construiu um caldo que permitiu sustentar mudanças políticas mais de fôlego.

Quando a direita de lá reagiu e deu um golpe no Chávez, em 2002, não durou três dias, porque o povo cercou o Palácio exigindo a volta do presidente. Construiu-se uma base social e um processo de politização. Isso foi feito com conflito. É impossível, em uma sociedade de classes, fazer mudanças sem conflito. Esconder o conflito de classes, como foi feito aqui, despolitiza a sociedade e cria a ideia de que toda ascensão é individual, e não fruto de um processo de disputa política.

0d0c12dd-55e4-414c-9a42-2c698fd1e2bd‘As opções políticas do PT revelam o nível de comprometimento do governo com o capital privado’

Até quem ascendeu a partir das políticas sociais do governo do PT enxerga sua ascensão de maneira meritocrática?

A maioria dos prounistas votou no Aécio Neves (PSDB) nas eleições do ano passado. Precisa mais do que isso? O governo criou processos de transferência de renda, mas não se mexeu muito na distribuição. Houve uma ascensão dos mais pobres, mas, ao mesmo tempo, uma ascensão ainda maior dos mais ricos.

O PT não soube dialogar com essa nova classe trabalhadora. Ela estava na condição de subproletária, informal, e com as políticas do governo entrou na formalidade e teve o incremento da renda, pelos programas sociais, pelo crédito e pela maior geração de empregos. Mas ascendeu pelo consumo, sem a lógica de conflito social, da disputa de direitos e da politização. Assim, obviamente, se criam pessoas que acreditam na meritocracia, que são reféns do discurso da direita e que desenvolvem um comportamento cada vez mais individualista e consumista.

Essas mudanças estruturais seriam, por exemplo, a democratização da mídia, reforma política, reforma tributária?

E a reforma urbana e agrária também. São as reformas estruturais que, neste país, estão bloqueadas desde 1964. A última vez que se falou isso de forma séria, o presidente (João Goulart) tomou um golpe e isso deixou de ser pauta política.

Em relação ao monopólio das comunicações, é vergonhoso que em 12 anos, não se tenha tocado nisso. Ao contrário, reproduzir na distribuição de verbas públicas e nos anúncios um modelo que privilegia os grandes meios corporativos. De algum modo, o PT ajudou a criar esse antipetismo de direita. O PT colhe, não o que plantou, mas o que deixou de plantar.

E houve um momento em que o cenário político era muito mais favorável. Com um governo com 80% de aprovação, como já teve, você vai pra cima do Congresso. Manda a lei de mídia e chama a população e os movimentos sociais para cima. O Congresso brasileiro sempre foi muito conservador. Talvez o mais atrasado dos poderes e é impressionante como a esquerda, de forma geral, toma a questão das relações de força de uma maneira metafísica, como se fosse algo intocável e imutável. Correlação de força se muda e, quando se tem o governo, se tem uma ferramenta tremenda para disputá-la.

Foi por medo ou por falta de visão?

Acho que é medo, mas também é opção política. As opções políticas do PT revelam o nível de comprometimento do partido e do governo com o capital privado do país. O PT está votando hoje contra o financiamento empresarial de campanha, mas foi o partido que mais recebeu dinheiro empresarial nas últimas campanhas, até por ser governo. Assim, estabeleceu vínculos de compromisso com esses setores econômicos poderosos e fez a opção política de não romper esses vínculos. Agora paga o preço.

c73de946-86a4-4114-b6fa-8ed3b8a4aa3d‘Junho de 2013 teve um efeito de exemplo: quando o povo se organiza, consegue’

Mas é possível se eleger sem garantir ganhos reais ao capital?

Neste sistema político, muito improvável. Então, é preciso discutir essa questão em outro âmbito da política, que é na rua. Se não for lá, não se muda. Achar que o Congresso vai fazer uma reforma política… A semana passada mostrou o que eles fazem.
Agora, isso não pode servir de argumento, como serve, para dizer ‘essa é a única forma de se eleger, então vamos mantendo assim’.  Com isso, se legitima o conservadorismo e se legitima que não se façam mudanças estruturais. Não dá para ser assim. Se um partido quer ser visto como um elemento de transformação na sociedade, precisa pautar temas e, inclusive, dizer ‘dentro desse sistema político, a disputa é desigual’.

Estamos falando do PT, mas é importante também falar sobre o que foi o deserto neoliberal dos anos 1990 e do que são os tucanos no governo. Esse deserto neoliberal criou a ideia de que política é só institucional. Na década de 80, nós tivemos política na rua. Pouco a pouco, foi-se tirando a política da rua. O PT continuou esse movimento, quando fez um governo desmobilizado, levando lideranças para o gabinete.

E qual é a força política dos movimentos sociais organizados para peitar esse poderio econômico arraigado na política e no Judiciário?

Os movimentos sociais organizados não têm. Nós vivemos hoje um momento que não é de afluxo de lutas sociais. É claro que, a partir de junho de 2013, se teve uma maior mobilização da sociedade, para a direita e para a esquerda. O conflito social está mais aberto e polarizado, mas nós ainda não temos ‘caldo’ para dizer que temos condição suficiente para fazer um grande enfrentamento. Mas é papel dos movimentos construir isso, com a sua atuação cotidiana.

Por falar em junho de 2013, qual foi o principal legado desta jornada?

Tivemos dois principais legados. Um deles, perverso, pela direita. Foi aí que ela começou a se encorajar para ir às ruas e defender as opiniões que antes tinham vergonha – e que deveriam continuar tendo, porque são posições que beiram o fascismo. Houve um fortalecimento e uma rearticulação do pensamento de direita no Brasil e isso se expressou no período eleitoral do ano passado e sobretudo na manifestação de 15 de março deste ano.

Mas, felizmente, esse não foi o único legado. Junho de 2013 surgiu desencadeado por uma mobilização legítima, de direitos sociais, e por um movimento de esquerda, que é o Passe Livre. Foi uma luta contra a mercantilização do transporte e contra o aumento da tarifa, que foi vitoriosa. A tarifa baixou. Teve um efeito de exemplo muito poderoso: quando o povo se organiza e vai para a luta consegue resultado.

Toda a movimentação estimulou a ascensão de vários outros movimentos sociais. A partir do segundo semestre de 2013, as ocupações de terra explodiram nas cidades brasileiras. Foi um gatilho pra luta social.

b43425be-f1c0-409a-82af-49e25470089e‘Precisamos construir uma saída ao esgotamento do modelo petista’

A direita na rua é negativo ou positivo para a democracia?

Eu acho muito negativo ter nas ruas grupos defendendo apologia à tortura, à ditadura, à Polícia Militar. Agora, temos um aspecto positivo que é o fato de a polarização se tornar mais clara. Fica mais difícil negar os conflitos de classe, de interesses políticos e ideológicos que habitam a sociedade brasileira. Eu espero que um dia essa elite diga: ‘Eu era feliz e não sabia’, o que vai ser possível se a gente construir um projeto de esquerda mais amplo no país.

Essa ascensão conservadora– que elegeu o Congresso mais conservador desde a ditadura civil-militar – é resultado de quê?

De um sistema político carcomido. Cá entre nós, este Congresso não é essencialmente diferente do anterior. Houve uma piora em grau, mas no ponto de vista de processo político é a mesma coisa. Ícones de direita se fortaleceram e, com o enfraquecimento do governo pela perda de popularidade, conseguiram impor sua agenda política. Acho também que isso é expressão da forma como a mídia trabalhou e ajudou a construir essa ‘direitização’ do senso comum na sociedade brasileira.

Há um claro esforço dos veículos tradicionais em manter Dilma e o PT acuados para levar a uma vitória que dê a legitimidade das urnas a Geraldo Alckmin em 2018. Pode ser positivo para a esquerda que o PT perca e volte a ser oposição?

Eu não acho que uma vitória de propostas mais à direita seja benéfica em nenhum sentido. O PT não tem a mesma credibilidade que teve outra hora para a oposição. Não adianta sair do governo e dizer ‘Agora eu sou oposição e sou contra tudo isso’. Não rola. Teve 16 anos, não fez, e acha que vai chegar na oposição com credibilidade para liderar esse processo? Não vai.

Há um claro esforço dos veículos tradicionais em manter Dilma e o PT acuados para levar a uma vitória que dê a legitimidade das urnas a Geraldo Alckmin em 2018. Pode ser positivo para a esquerda que o PT perca e volte a ser oposição?

Eu não acho que uma vitória de propostas mais à direita seja benéfica em nenhum sentido. O PT não tem a mesma credibilidade que teve outra hora para a oposição. Não adianta sair do governo e dizer ‘Agora eu sou oposição e sou contra tudo isso’. Não rola. Teve 16 anos, não fez, e acha que vai chegar na oposição com credibilidade para liderar esse processo? Não vai.

‘É muito negativo ter nas ruas grupos defendendo apologia à tortura, à ditadura e à PM’

Abordando a temática da reforma urbana, quais as mudanças d92219eb-932a-4e57-8629-cb5e212fec1fnecessárias nas grandes cidades brasileiras?

Nós precisamos tomar a dimensão do que é a crise urbana no Brasil. As cidades se tornaram uma verdadeira máquina de exclusão e segregação. Temos aí uma das contradições do modelo petista: nunca se teve tanto investimento em políticas urbanas, mas também elas nunca foram tão desarticuladas. Assim, acabaram por servir à exclusão e à segregação.

Vou dar um exemplo: o programa Minha Casa Minha Vida construiu 2 milhões de casas até aqui e o déficit habitacional nas grandes cidades brasileiras aumentou. Em 2008, o déficit, segundo o IBGE e a Fundação João Pinheiro – fonte dos dados oficiais – era de 5,3 milhões de unidades. Em 2012, última data disponível, era de 5,8 milhões.

Isso porque este processo de investimento urbano foi feito sem nenhuma regulação e foi apropriado como crédito pelo capital privado, pelo setor imobiliário e pela construção civil, que cresceu de uma forma desproporcional. Foi o setor, talvez, que mais tenha ganhado com o crédito público.

E esses setores articulados, produzindo novos empreendimentos, gerou um processo de valorização incrível, que, em seis anos, ficou na casa dos 200% nas grandes cidades. Isso faz com que o aluguel aumente, mas o salário não aumentou na mesma proporção. Ora, se eu pagava R$ 300 de aluguel e meu aluguel aumentou para R$ 800, tenho que morar mais longe ainda. E isso significa creche pior, posto de saúde pior, mais tempo de deslocamento no transporte público.

O debate que o MTST faz é que, lutando só por moradia, nem o problema de moradia você resolve. Construindo casa, o problema da moradia se agrava, se você não tem uma política de reforma urbana que pense o direito à cidade acima dos investimentos privados, acima da apropriação privada do espaço urbano. Isso implica políticas de regulação, implica espaços públicos e sociais de deliberação e conselhos que funcionem.

Na Venezuela, por exemplo, a questão urbana e da moradia foi uma das grandes bases de sustentação do chavismo. Os movimentos de moradia são hoje uma parcela dos movimentos sociais com maior capacidade de aglutinação e reivindicação?

Na Venezuela, o Gran Misión Vivienda é um programa exemplar, com um nível de participação popular muito alto, com alta qualidade das habitações, e com nível de regulação e de exigência do Estado muito grandes. Aqui no Brasil, a explosão da crise urbana aprofundou as contradições e criou mais espaço para a mobilização social.

O crescimento de movimentos como o MTST nos últimos anos tem diretamente a ver com isso. As pessoas não querem ser jogadas para mais longe, não aguentam mais pagar um aluguel que sufoca o orçamento familiar. Isso cria um ‘caldo’ para processos de resistência. Mas acho que não podemos falar de um protagonismo exclusivo, mas em um protagonismo compartilhado. Os movimentos sociais urbanos, isoladamente, não têm a menor condição de encabeçar as transformações necessárias. Precisa-se construir processos de unidade que envolvam o movimento sindical, os movimentos do campo e a articulação da juventude.

Até porque existem movimentos e ‘movimentos’ de moradia. São diversas vertentes…

Tem de tudo. Temos um campo de movimentos combativos que pensam a luta por moradia articulada com a reforma urbana, que têm um projeto político de transformação da sociedade, como o MTST. Há movimentos, digamos, mais corporativos, focados na pauta da moradia, e que perdem a visão que essa luta isolada não resolve o problema da moradia.

Tem também movimentos oportunistas, como em todos os campos, que fazem das ocupações um negócio. O curioso é a grande mídia pegar essa parcela minoritária e bater como se fosse regra. Acho que tem um percentual menor de oportunistas no movimento social do que na edição da Rede Globo ou no Congresso Nacional.

A segregação urbana, que tão fortemente marca as grandes cidades brasileiras, e a ascensão social verificada nos últimos anos, motivaram de alguma forma o ódio de classe?

Sem dúvida. Se fez tão pouco perto do que se precisava fazer, não se mexeu com nenhum privilégio, com o tripé neoliberal da política econômica, com as metas de inflação, com o superávit primário, com o câmbio flutuante, não se mexeu com o sistema da dívida pública, que é a maior forma de concentração de renda do Estado brasileiro, não se mexeu com sistema político, com o monopólio da mídia, com estrutura arcaica do Judiciário, nada…

E há uma grita na sociedade como se tivéssemos feito uma revolução socialista no Brasil. Tem uma turma alucinada chamando o PT de bolivariano. Antes fosse! Aí entramos em uma situação preocupante: o quanto é atrasada e intolerante a elite brasileira. O quanto não aceita nenhum tipo de concessão. Só do pobre ascender já é um escândalo, mesmo que ele ainda se encontre no topo da pirâmide. Pobre andar de avião? Preto na universidade? Empregada doméstica com direito trabalhista? Não pode!

Essa intolerância, esse atraso, essa mentalidade escravocrata da elite tem semeado um cenário de ódio e caricaturizando o governo do PT como revolucionário. Esse é o drama social que vivemos hoje: precisamos construir uma saída ao esgotamento do modelo petista, mas quem está canalizando esse discurso de insatisfação é o setor mais conversador, reacionário, de ultradireita.

6b4c04e5-4305-4ab7-9edb-3c856bc996d7‘Talvez o legado mais positivo da Copa seja o 7X1!’

E qual o horizonte de uma saída à esquerda para crise?

O horizonte passa por um caminho estratégico e outro tático. Qual o programa pautado pelo PT e por uma parte da esquerda nesses anos? Um programa de pequenos avanços e conquistas sociais graduais, sem mexer na estrutura do país. Essa estratégia não funciona mais, porque depende de condições que não estão mais dadas: uma delas é um nível de crescimento econômico que permita essas pequenas concessões e uma conjuntura que mantenha as forças sociais mais ou menos controladas. Nenhuma delas está mais dada. Nós temos uma crise econômica mundial e os produtos brasileiros, sobretudo as commodities, não têm mais o mesmo valor que tinham há dez ou há cinco anos. Essa é a hora de dar uma guinada e pautar reformas estruturais. No Brasil, ou se pautam esses temas ou se retrocede.

Peguemos o ajuste fiscal: a Dilma fez porque quis? Não. A crise piorou e o orçamento não cresceu. Ela precisou cortar. Agora, de quem cortou? Ou você retrocede e corta em direitos sociais e investimentos, que foi a escolha do governo, ou pauta reformas, como a reforma tributária, como a taxação das grandes fortunas. É preciso construir uma estratégia em torno das reformas populares.

Essa mudança estratégica implica também uma mudança tática, porque ela não vai ser implementada no interior desse sistema político. Para essa estratégia ser posta em prática será preciso aglutinar um amplo movimento de massa e isso implica conflito, enfrentamento de rua e pressão social.

O PT é capaz de fazer essas mudanças tática e estratégica?

Eu acho que hoje o PT não mostra disposição política para fazer isso, mesmo estando na sua maior crise, criminalizado e emparedado por diversos setores da sociedade e pela mídia.

00b2df42-0783-4ad6-a6b7-e23c5a090416Guilherme Boulos, do MTST

Qual sua avaliação do Plano Diretor Estratégico de São Paulo, aprovado no ano passado, e de sua capacidade de combater essa lógica segregacionista da cidade?

O plano sozinho não faz reforma urbana e não enfrenta a segregação. Ele pode nos ajudar a fazer esse enfrentamento. O plano aprovado tem elementos importantes de avanço. Tivemos que fazer concessões, mas conseguimos impor algumas derrotas ao setor imobiliário, que queria avançar de forma cada vez mais voraz.

Conseguimos aumentar as áreas de Zeis (Zonas Especiais de Interesse Social), regulamentar mecanismos do Estatuto das Cidades para a função social da propriedade, aumentar o Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano) que vai ser direcionado para compra de terra e programas de habitação. Mas o plano só vai se efetivar com luta social.

Qual o legado da Copa para São Paulo e para as demais metrópoles do país?

Talvez de mais positivo seja o 7 a 1 (risos). De resto, foi daí para baixo. Foi um processo de movimentação dos setores da construção civil que aprofundou processos de despejo, de segregação e de especulação. As obras da Copa não foram pensadas do ponto de vista do acesso à cidade e da garantia de direitos. Foram pensadas do ponto de vista funcional, de acesso aos estádios, aos centros hoteleiros, aos aeroportos. E deixaram para trás um rastro de despejo e políticas de militarização das cidades.

3 de dezembro de 2015 at 10:20 pm Deixe um comentário

A dignidade ronda as escolas paulistas ocupadas

Postado: Brasil de Fato

No seus rostos está estampado o desejo de lutar pelo que lhes pertence, tal como está escrito no muro que recebe aos próprios estudantes e a jornalistas estrangeiros, como nós, em sua barricada de dignidade: “defendemos o que é nosso”.

 

Por Milena Perdomo, Colombia Informa

Fotos: Marcelo Aguilar, do Brecha (Uruguai)

Desde 9 de novembro, diversas escolas do estado de São Paulo vêm sendo ocupadas, e já são mais de 170 as que se encontram tomadas por crianças, jovens e professores. Em seus semblantes está o desejo de lutar por aquilo que lhes pertence, tal como diz o muro que recebe a eles e aos jornalistas estrangeiros, como nós, em sua barricada de dignidade: "defendemos o que é nosso". Assim, acompanhamos um grupo de alunos em uma das escolas ocupadas na zona leste da cidade.

A Escola Estadual Salvador Allende é uma das 190 escolas tomadas em São Palo. Casualidade? Não, este é um nome apenas condizente com a luta digna deste grupo de 50 pequenos jovens que, não conformados só em ocupar a escolas, se dispuseram como grupo de apoio para as ações em toda a região.

Está localizada na periferia de São Paulo (Itaquera), na zona leste, a mais pobre e populosa da cidade. Seus estudantes são moradores do bairro; rebeldes, não submissos e organizados em meio a um contexto adverso de vigilância e criminalização.

Todas as decisões que tomam são consultadas em assembleias populares. Discutem quando, como, porque e para que ocupar as escolas. Os trabalhos são divididos de maneira justa. Não descansam um segundo. Contam com um esquema de controle para as entradas e saídas dos visitantes na escola. Só eles decidem quem os entrevista, fotografa, apoia nas decisões e assiste suas reuniões.

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Escola Salvador Allende, zona leste de São Paulo

A origem

Tudo se iniciou com o Decreto de Reorganização Escolar, emitido pelo governador do estado, Geraldo Alckmin, do PSDB, o principal opositor do governo atual, encabeçado por Dilma Rousseff, do PT. O decreto prevê o fechamento de pelo menos 94 escolas, prejudicando mais de 311 mil e 74 mil professores.

Um estudante do terceiro ano da Escola Estadual Fernão Dias disse ao Brasil de Fato, dias antes, que "a quantidade de pessoas que terão que mudar de escolas, muito distantes de suas casas, é muito grande", acrescentou ainda que "a escola é um espaço para a formação política, não só para entregar trabalhos e fazer avaliações".

E o governo estadual? Sua atitude é de silêncio e negação. Apenas em 19 de novembro manifestaram a "vontade" de suspender o decreto, gesto que os estudantes interpretaram como  uma estratégia de distração para que, ao chegar as férias de final de ano, se implemente a reorganização sem consulta popular. A proposta não prosperou.

Por outro lado, os pedidos do governo de Alckmin para a reintegração de posse das escolas ocupadas, foram negadas pela Justiça de São Paulo.

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A solidariedade

Thiago Pacheco pertence ao Levante Popular da Juventude, organização de jovens que integra a recente coalizão de movimentos populares, Frente Brasil Popular. Este coletivo popular, que está em todo o país, apoia os secundaristas, mas nas palavras de Thiago: "são eles os protagonistas".

Para ele, se trata de ser solidário nas tarefas cotidianas como a limpeza das escolas, cozinha, o café. "Tentamos construir outro modelo de escola, porque acreditamos que isso é possível", afirma.

Da mesma forma, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) doou mil litros de leite, 500 litros de suco de uva e mil caixas de achocolatado, provenientes das cooperativas da reforma agrária, como gesto de apoio ao movimento dos secundaristas.

Para a direção do MST, "é importante apoiar a organização social autônoma dos estudantes que, neste momento, estão dando aulas de consciência e mobilização na luta pelo direito à educação, que é uma bandeira de toda a sociedade. Nesse sentido, toda a solidariedade é necessária", comunicaram em sua página na internet.

Nas redes sociais circulam vídeos, memes, fotos e textos que pessoas compartilham com entusiasmo. Em um desses materiais, um menino de 13 anos questiona um policial que tenta entrar na escola para fazer a reintegração. Até esta data o vídeo tem cerca de quatro milhões e meio de visualizações.

A esperança

"João" é um dos jovens que aposta tudo nesta mobilização. A escola vizinha à sua, a Salvador Allende, se tornou uma referência. Seus estudantes e docentes apoiam a ocupação e a resistência das escolas vizinhas.

A primeira tentativa de ocupar a Escola Estadual Salim Maluf, outro centro educativo vizinho, foi frustrada. Eram 21h em São Paulo quando um grupo de dez estudantes, que acompanhamos, tentaram quebrar os cadeados da porta principal. Imediatamente, um policial armado, que se encontrava próximo dali, abordou os pequenos.  Pouco a pouco fomos nos dispersando com o sentimento de tristeza pelo ocorrido.

Porém, "João" e os seus companheiros não se deram por vencidos. Ao chegar novamente à Salvador Allende reuniram um grupo de estudantes, todos valentes, em um salão do segundo andar. Tivemos o privilégio de assistir a uma assembleia que "João" liderava com o espírito de compromisso inabalado.

En la pizarra verde plasmaron el contenido de una hoja blanca que Juan cargaba en su bolsillo. Una línea, varios cuadros, otros símbolos: “Este es el mapa de la escuela”, señaló. Así iniciaron las hipótesis de cuál era la mejor forma de ocupar la Salim Maluf, contando siempre con el antecedente del factor sorpresa roto por la llegada de la Policía.

Na lousa verde escreveram o conteúdo de uma folha branca que João carregava no seu bolso. Uma linha, vários quadros, outros símbolos. "Este é o mapa da escola", disse. Assim, iniciaram as hipóteses de qual era a melhor forma de ocupar a Salim Maluf, contando sempre com o fator surpresa da chegada da polícia.

Pela porta detrás, por alguma das três da frente, um pátio, outro mais. Portas, portões, muros. As opções eram múltiplas. O salão foi enchendo progressivamente e o primeiro grupo de dez estudantes e professores chegou aos 40, enquanto o debate se estendia até as 23h. Finalmente, a decisão foi de tomar a escola durante a madrugada, com um plano detalhado que contemplava desde uma ação de distração da polícia, até a quantidade e a maneira de dividir os alunos na ocupação.

"Falem um de cada vez, assim não conseguimos pensar, levantem a mão", disse João, e em seguida deu respeitosamente a palavra a um professor: "Desculpe professor, agora pode falar". O segundo, e assim sucessivamente para armar a lista de opiniões. A atitude dos estudantes é comovedora. Eles têm muito claro o que estão defendendo. E porque.

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Cresce o movimento

Por muitos cantos deste grande estado são os pequenos que alimentam a esperança popular e a mantêm com firmeza, muito além de si mesmos. Na delicada situação política que a América Latina atravessa, – enquanto os rejeitos tóxicos produzidos pelo rompimento da barragem de minério da empresa Vale em Minas Gerais enterram povos inteiros e chegam a desembocar no mar -, estes jovens encaram a esperança.

Por quê? Porque são um exemplo de rebeldia, que hoje é cada vez mais urgente. Cada vez são mais as escolas ocupadas em todas as partes da cidade, e cada vez são mais jovens os que creem na mobilizção como saída ao despejo.

Hoje, a coragem e a dignidade está ocupando 170 escolas em São Paulo, mas amanhã é possível que sejam muitas mais. E também é possível que a rebeldia se multiplique e ocupe outros lugares.

28 de novembro de 2015 at 12:48 pm Deixe um comentário

Educação às avessas

Postado: Correio da Cidadania

Escrito por Maria Orlanda Pinassi

 

escolas ocupadas“ A coincidência da modificação das circunstâncias e da atividade humana só pode ser apreendida e racionalmente compreendida como prática transformadora”.

Marx.

Aqueles que perdem seu precioso tempo com arengas politicistas precisam ficar mais atentos à grande sintonia que se estabelece entre o Plano Nacional de Educação do Governo Federal e o Plano Estadual de Educação do Governo de São Paulo quando se trata de atender as urgências do capital. A título de um “necessário” ajuste fiscal, forjado para o pagamento da dívida pública, os governos de lá e de cá cortam, respectivamente, 10 bilhões de reais e 1,2 bilhão de reais do orçamento destinado à educação no início deste ano.

No caso paulista, o corte é coerente com a reestruturação/precarização praticada desde os tempos de Mário Covas e que, mais recentemente, resultou no fechamento de 3390 salas de aula, na demissão de 21 mil professores da categoria “O” e no aumento de 45 para mais de 60 alunos por classe – as salas do EJA (Educação para Jovens e Adultos) já apresentam um número de 100 alunos.

É flagrante, portanto, o aprofundamento da degradação imposta às condições de trabalho de professores e ao aprendizado oferecido aos alunos. Todos esses ataques ensejaram uma das mais longas e desgastantes greves de professores da rede pública de São Paulo (2015), que experimentaram amarga derrota frente às práticas crescentemente antidemocráticas do governo tucano.

Em setembro último, sem qualquer discussão prévia com os atingidos imediatos e sem fundamentar, pedagogicamente, a intencionalidade das medidas perante a sociedade, o governo não vai além dos argumentos tecnocráticos para comunicar o fechamento imediato de 94 escolas e outros tantos “rearranjos” sobre um número muito maior delas.

O destaque vai para o encerramento dos períodos noturnos e o deslocamento forçado de centenas milhares de estudantes pobres de todas as faixas etárias. As medidas seguem uma tendência de municipalização e sucateamento da educação pública que visa transferir a responsabilidade do ensino para o terceiro setor e posteriormente para as empresas privadas.

Ou seja, promover um amplo processo de privatização da educação em massa no estado, nos mesmos moldes do que já vem sendo feito com a saúde e os presídios.

No entanto, o quadro vem sendo amplamente divulgado – em muitos casos, manipulado – pelas redes, pelas mídias, pela imprensa.

O que pouco se percebe é que, neste exato momento, não seria absurdo dizer que a mais bem sucedida dupla de pedagogos do país atende pelos nomes de Geraldo Alckmin e Herman Voorwald. Isso porque, se num ato arbitrário, governador e secretário suprimem o direito constitucional à educação pública, ao mesmo tempo suspendem a normalidade alienante de uma política pedagógica imbecilizante, que não contempla sequer minimamente a expectativa e a capacidade intelectual dos seus alvos.

Atiram-nos num limbo de onde os estudantes encontram imensa razão para a luta. Aí é que, mobilizados em torno de uma causa institucional – a luta contra a supressão do direito de estudarem numa escola pública –, muitos jovens terão sua primeira experiência de agirem como sujeitos. Espaços serão criados para desenvolverem outras pedagogias críticas que a Escola sem política pretende lhes negar. Compreenderão o sentido da solidariedade pela luta do outro, como foi o caso de um grupo de estudantes em relação à greve dos trabalhadores da Usiminas.

Quando ocupam escolas confiscadas pelo Estado, enfrentam a truculência da repressão e descobrem, aos 14, 15, 16 anos de idade, que educação não se aprende somente na sala de aula. Ela pode e vem da liberdade de desobedecer e questionar a ordem adversa. Certamente, voltarão à normalidade, se ela for restabelecida, muito melhores e mais enriquecidos de como iniciaram essa luta que é deles e é de todos nós.

“Não tem arrego, você tira minha escola e eu tiro o seu sossego”.

“Não vim prá escola prá sair de camburão. Sou estudante, não sou ladrão”.

22 de novembro de 2015 at 5:07 pm Deixe um comentário

Chapa apoiada pela Intersindical luta pela saúde dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu

Postado: INTERSINDICAL CENTRAL DA CLASSE TRABALHADORA

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A situação dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu é extremamente grave. A atual direção não tem agido em defesa da saúde dos companheiros e até o momento encontra-se suspenso o processo eleitoral para escolha de nova direção para a entidade. O pleito havia sido convocado para os dias 22 e 23 de outubro, no entanto, a Justiça do Trabalho determinou a suspensão do pleito devido a uma série de irregularidades envolvendo membros de uma das chapas e também devido problemas na prestação de contas da atual direção.

A Intersindical – Central da Classe Trabalhadora apoia a Chapa 2 – Resgate, encabeçada por José Roberto de Souza, também presidente da Associação de Trabalhadores Portadores de Doenças Ocupacionais e Acidentados do Trabalho de Mogi-Guaçu – CAAT.

Na semana passada, ele e trabalhadores da Mahle Metal Leve S.A, principal metalúrgica da região, denunciaram à imprensa, a prática indecente por parte da Mahle e Unimed de não aceitar o agendamento de consulta com ortopedista para trabalhadores e dependentes da Mahle.

A associação já está apresentando denúncia ao Ministério Público do Trabalho contra as duas empresas por negligenciarem atendimento médico e submeterem os trabalhadores a condições degradantes do ponto de vista da saúde.

Uma reportagem veiculada pela TV Record em 12 de novembro mostra os trabalhadores da Mahle tentando agendar consulta com ortopedista pela Unimed Mogi-Guaçu, porém quando declaram que pertencem ao quadro da empresa, são informados de que não é possível efetuar o agendamento e são orientados a procurar a Mahle para esclarecimentos.

Para o presidente do CAAT, José Roberto de Souza, esta prática por parte da Mahle é uma forma de dificultar a identificação de uma situação alarmante de número de lesionados, e assim mascarar um grave problema que ocorre dentro da empresa, resultado de pressão por produção que têm causado Lesões por Esforço Repetitivo nos (as) trabalhadores (as).

Trabalhadores impedem golpe

Os metalúrgicos de Mogi-Guaçu conseguiram impedir o golpe contra os direitos dos trabalhadores, articulado pela atual direção do sindicato, que chamou às pressas, em plena campanha salarial, uma assembleia para tentar filiar o sindicato à Força Sindical.

Essa proposta tinha como único objetivo impor aos metalúrgicos convenção coletiva que interessa aos patrões. Ou seja, o sindicato em conchavo com as empresas para retirar direitos e piorar a situação dos trabalhadores em relação a salários, benefícios e cláusulas sociais.

A convenção coletiva da Força Sindical não garante estabilidade aos trabalhadores lesionados até o momento de aposentadoria. Ou seja: este direito seria perdido.

Os trabalhadores foram informados pela Chapa 2 – encabeçada por José Roberto –, sobre esta proposta absurda da atual direção e compareceram em peso para dizer que não aceitariam o golpe de filiação à Força Sindical, vencendo a assembleia do dia 12 por maioria.

No entanto, a direção do sindicato não quer aceitar a decisão dos trabalhadores e comunicou que irá realizar novas assembleias nas fábricas, utilizando falsos argumentos de que houve tumultuo na assembleia.

“Somos contra a filiação à Força Sindical. Isso não interessa aos trabalhadores. Só interessa às empresas”, afirma José Roberto, da Chapa 2 – Resgate.

Audiência de conciliação

Na tarde desta terça-feira (17), houve uma audiência de conciliação para tratar do processo eleitoral do sindicato dos Metalúrgicos de Mogi Guaçu. Como não houve acordo, a Juíza decidiu manter as eleições suspensas e encaminhou o processo a julgamento, ainda sem data prevista para acontecer.

A Justiça pode acatar os pedidos de impugnação da candidatura de membros da chapa concorrente, decidir pela realização das eleições ou, ainda, pela continuidade do mandato da atual direção. A Chapa 2 – Resgate seguirá acompanhando o processo que corre na Justiça e lutando para que os Metalúrgicos de Mogi Guaçu não sofram mais ataques a direitos, como a recente manobra da atual direção do sindicato.

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Zé Roberto (à frente, de camisa) encabeça a Chapa 2, que percebeu o golpe de filiação à Força Sindical.

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Trabalhadores reunidos em frente à sede do sindicato.

18 de novembro de 2015 at 11:24 pm Deixe um comentário

“EUA fizeram vista grossa diante do crescimento do Estado Islâmico”, afirma pesquisador

Por: Brasil de Fato

Cientista político descreve origens do Estado Islâmico, comenta os interesses em disputa por potências mundiais na Síria e fala sobre os riscos do crescimento da islamofobia.

Por Vivian Virissimo,

Do Rio de Janeiro (RJ)

obama_esta_is_118Após os ataques do Estado Islâmico em diferentes pontos de Paris, que resultaram em mais de 150 mortes e 300 feridos, o sentimento de solidariedade ao povo francês tomaram o noticiário, as conversas e as redes sociais em todas as partes do mundo. Para entender as razões do atentado e o que está sendo disputado por potências mundiais na Síria, o Brasil de Fato entrevistou o cientista político Pedro Paulo Bocca.

Brasil de Fato – Quais as razões do ataque feito pelo Estado Islâmico ocorrido em território francês na última sexta-feira. Quais são as raízes desse conflito?

Pedro Paulo Bocca – É importante entender o processo de criação do Estado Islâmico. Ele se origina no Iraque após a invasão dos Estados Unidos. Após a queda de Saddam Hussein, começa a crescer uma disputa religiosa interna entre sunitas e xiitas, já que o governo provisório eleito com o apoio dos EUA é xiita e passa a reprimir a maioria sunita. É neste contexto que nasce o Estado Islâmico, sunita, em 2004. Os Estados Unidos fizeram vista grossa diante do crescimento do Estado Islâmico, já que isso dividia o povo iraquiano e facilitava a dominação estadunidense. É bom lembrar que o Estado Islâmico foi constituído também por uma dissidência da Al Qaeda, que eram os ditos inimigos dos EUA na época. Hoje, mais da metade do Iraque é dominado pelo grupo. Com o início da guerra civil na Síria, o Estado Islâmico viu a oportunidade de expansão de fronteira e a tomada do território sírio para consolidar seu objetivo de criar um Estado em toda a região. No início do processo, as potências ocidentais acharam esse movimento conveniente, pois eram contra o governo sírio, mas isso fugiu do controle.

O que as potências têm feito atualmente diante desse cenário?

Há dois blocos atuando hoje contra o Estado Islâmico. Um, de defesa do governo da Síria, de Bashar Al-Assad, que reúne Rússia, Irã e Líbano e que atua por terra com o objetivo de expulsar o Estado Islâmico da Síria. Por outro lado, há ações coordenados por Estados Unidos e outros membros da Otan – incluindo a França – de bombardeios aéreos. Esta coalizão, durante a guerra civil na Síria, se posicionava ao lado dos rebeldes sírios, com a proposta de derrubada de Assad.

O que teria sido o estopim para o ataque da última sexta-feira?

A França tem apresentado muita resistência ao crescimento do extremismo islâmico, especialmente após o ataque ao jornal Charlie Hebdo, no começo deste ano. Além disso, o país é identificado pelo Estado Islâmico como o principal oponente europeu porque os bombardeios ao seu território, pela coalisão da Otan, são realizados majoritariamente a partir de caças franceses. Na semana passada, a França explodiu um campo de extração de petróleo no território controlado pelo Estado Islâmico. Atualmente, o grupo extremista está numa dinâmica de criar um cenário de instabilidade e tensão como resposta aos países que o tem atacado: foram os responsáveis pela explosão de um avião russo em território egípcio que resultou em mais de 200 mortes, realizaram um atentado em Beirute, no Líbano, que deixou mais de 40 mortos, e agora os atentados em território francês.

Qual o impacto na geopolítica mundial?

A Síria é o grande nó na geopolítica mundial. Mesmo que EUA e Rússia se unam para combater o Estado Islâmico e o destruam, fica a pergunta: O que fazer com esse território depois? A Rússia não abrirá mão da manutenção do governo de Bashar Al-Assad, enquanto o plano dos Estados Unidos e das demais potências ocidentais é exatamente o contrário. A Síria cumpre um papel geopolítico e econômico fundamental para os interesses russos, e Vladimir Putin não abrirá mão de Assad. Esse pós-Estado Islâmico, caso haja de fato uma reação maior, é a grande questão. Depois dos acontecimentos sexta-feira não há nada certo.

Como o Estado Islâmico poderia ser caracterizado?

Ele é talvez a grande expressão do extremismo muçulmano que tem sido historicamente construído naquela região, fomentado pelas grandes potências ocidentais. Hamas, Al Qaeda e Boko Haran são exemplos desses movimentos islâmicos muitos radicais, os chamados jihadistas que praticam a “guerra santa”. Eles objetivam a expansão do Islã e constituição de regimes de governo islâmicos através do uso da força. É importante, porém, deixar claro que estes grupos não representam de maneira nenhuma a imensa maioria dos árabes ou dos muçulmanos, que muitas vezes acabam sendo confundidos com os extremistas. De qualquer modo, nenhum desses outros movimentos citados teve algo semelhantes às condições que o Estado Islâmico possui, ele é a expressão mais radical e mais estruturada deste processo. Sua força se dá pois conseguiram se aproveitar do momento histórico. No começo dos anos 2000 o Oriente Médio estava relativamente sob controle, com Estados fortes controlados por governos que tinham legitimidade: Saddam Hussein no Iraque, Muammar Kadafi na Líbia e Bashar Al-Assad na Síria, eram um exemplo disso. Porém, a intervenção dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque cria novamente uma instabilidade política na região, que é propícia para o desenvolvimento de organizações extremistas. Como alguns Estados foram destroçados pela intervenção estrangeira, inicialmente no início da década, e mais recentemente com a derrubada de Kadafi pela Otan e a guerra civil na Síria, aumenta ainda mais a possiblidade de se organizarem com planos maiores. Hoje o Estado Islâmico tem grandes proporções, tem influência em outros países, recruta membros inclusive em outras regiões do mundo. Isso garante uma condição de articulação e um poder muito maior. É uma organização que tem grande capacidade financeira graças ao controle de áreas que produzem petróleo e gás, distribuídos pelas monarquias árabes como a Arábia Saudita, que possui fortes relações políticas tanto com o Estado Islâmico, quanto com os Estados Unidos.

Após os ataques na França, vários países estão anunciando que vão endurecer as medidas contra os refugiados. Que repercussão isso terá?

Após os últimos acontecimentos, as intervenções no território sírio e no Iraque tendem a aumentar e isso ampliará o contingente de refugiados. Após os ataques em Paris poderá haver uma diversificação do local de imigração. Com as portas europeias ainda mais fechadas, a tendência é que os refugiados mudem de destino, pode ser que haja muitas pessoas se deslocando para outros países. Ainda que a visão da mídia dê a entender o contrário, a quantidade de sírios e iraquianos que ingressam na Europa Ocidental é pequena se comparado ao número total de cerca 11 milhões de refugiados que tiveram que sair das suas terras graças a este conflito. A Turquia, por exemplo, recebeu sozinha mais refugiados do que toda a Europa.

Que impacto terá para os refugiados que já moram em território europeu?

A França, por exemplo, já enfrentava problemas com a população islâmica no interior do país, que soma entre 8 e 9% da sua população. Mas após estes atentados, a situação dos muçulmanos franceses e os espalhados pelos demais países pode ficar ainda pior. A tendência é de fechamento da política europeia, aumento da perseguição aos árabes e crescimento do nacionalismo europeu que vai cobrar da França e de outros países da Europa ações enérgicas para o conflito. Novamente, temos que reforçar que o Estado Islâmico não representa a imensa maioria dos muçulmanos, especialmente no caso dos refugiados. Pelo contrário, quem mais sofre com a ação destes grupos é a própria população árabe. Os refugiados são refugiados porque fogem justamente desses grupos, que destruíram suas cidades, seu país e sua cultura. Existem estimativas que, só em 2015, mais de 10 mil sírios e iraquianos foram assassinados nas ofensivas do Estado Islâmico na região.

A islamofobia já era um problema na Europa. Como esse sentimento de repulsa ao islamismo tende a piorar após os ataques na última sexta?

Ao contrário de outros países europeus na França os muçulmanos não foram completamente integrados à sociedade. Enquanto na Alemanha, por exemplo, isso se deu de forma menos “traumática” com os turcos ainda no século passado, na França, a integração tem sido muito difícil, são comunidades muito guetizadas, a comunidade árabe tem uma dificuldade social, política e econômica de integração com a sociedade francesa. Daí os conflitos nos últimos anos, principalmente nas periferias de Paris. Há anos existe um clima de preconceito étnico que a direita já usava com muita força. Agora, diferente dos atentados no início do ano ao Charlie Hebdo, um órgão de imprensa, agora é um ataque à França, um ataque declarado de uma força estrangeira ao Estado francês. Até mesmo no governo francês, do Partido Socialista, que podemos considerar a centro esquerda da política francesa, cresce a cobrança por uma ação enérgica. Importante ressaltar a declaração de Obama que classificou a ação do Estado Islâmico como um ataque aos valores ocidentais. É um forte contraponto a pessoas que praticam outra religião, falam outra língua e tem outros costumes.

Como fica a situação das forças de libertação que atuam na Palestina?

Há que se ter especial cuidado no que diz respeito à confusão, que na maioria das vezes é proposital, entre os exércitos de extremistas islâmicos e os movimentos de resistência nacional-popular árabes. As forças de libertação nacional que operam na Palestina e no Curdistão, por exemplo, e os governos que não pactuam o plano ocidental para a região (notadamente Líbano, com a participação do Hezbollah, Irã e, claro, Síria) tendem a estar ameaçados por uma nova ofensiva dos países da Otan na região. É importante separar as coisas. Neste sentido, é importante aumentar a atenção na Palestina. Os levantes populares que têm acontecido nos últimos meses (muitas vezes, infelizmente, também relacionados a ações terroristas) podem e serão utilizados por Israel para legitimar uma ofensiva militar de repressão nos territórios ocupados. Essa é uma questão de imensa importância

Como avalia o posicionamento do governo Dilma Rousseff diante do atentado na França?

Tímido. O Brasil tem evitado se posicionar de maneira mais contundente sobre o conflito, não é de hoje. A política externa de Dilma é mais tímida do que a que se destacou durante os dois mandatos de Lula. No plano internacional, a Rússia tem feito pressão dentro do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) para que esses países que se somem na defesa do governo sírio. O Brasil tem se esquivado de tomar uma posição clara. Inclusive recentemente votou contra o governo sírio no Conselho de Direitos Humanos da ONU, numa moção sobre supostas violações direitos humanos no governo Assad. O Brasil votou diferente de Rússia e China que pediram a anulação dessa moção. O país vinha se abstendo nesse tipo de votações. Alguns analistas apontam que esse voto contrário à Síria pode ter a ver com as negociações de reaproximação conduzidas por Dilma na recente visita à Washington. Acho difícil que o governo brasileiro se posicione ao lado da coalização da Rússia ou dos Estados Unidos, caso essa bipolaridade se confirme com mais força, porque isso faria alguns dos lados descontentes com o Brasil, e este é um cenário que o governo não pode se dar ao luxo de construir neste momento.

A recepção aos refugiados sírios no Brasil tem sido satisfatória?

O Brasil tem uma contradição na questão dos refugiados sírios. O país tem sido apontado como exemplo internacional por ter feito acordo com a ONU, facilitando as questões burocráticas para a entrada de refugiados sírios no país, garantindo mais direitos e menos problemas legais, por exemplo, para a obtenção de vistos de trabalho e do Registro Nacional de Estrangeiro. Por outro lado, os sírios que chegam aqui não têm assistência nenhuma. Não há qualquer apoio para garantir a inserção no mercado de trabalho, por exemplo, mesmo para profissionais qualificados que chegam nestas condições. Além de problemas com moradia, educação, o aprendizado do português, enfim, uma série de problemas. Cerca de 2 mil sírios estão refugiados hoje no Brasil. É um contingente pequeno, se compararmos com o todo, mas ainda assim é necessário que existam políticas públicas que facilitem a inserção destes refugiados em nossa sociedade. Em São Paulo, que é a cidade que mais tem recebido os refugiados, a inserção deles tem se dado mais a partir de iniciativas da sociedade civil e de organizações internacionais como a Acnur (Agência da ONU para Refugiados) do que do próprio Estado brasileiro.

Você considera que este atentado facilita a aprovação da lei antiterrorismo no Brasil?

É muito possível. Desde os ataques isso já está sendo pautado na imprensa com ênfase por conta das Olimpíadas. O Brasil não tem nenhuma relação com o conflito armado. Porém, as Olimpíadas já foram palco de atentados no passado, e o Brasil receberá delegações, como as francesas e russas, e sabemos que o Estado Islâmico poderia tentar fazer uma ação midiática. Por isso haverá pressa para aprovação de uma lei antiterror, até para dar uma resposta. Além disso, há uma pressão internacional, independente da direita brasileira. Entre os mais importantes países do mundo, o Brasil é o único que não tem uma lei antiterror clara e o país sempre foi cobrado nesse sentido. Esse grande evento e a agenda antiterror pós-atentados na França só vai fazer com que esta pressão aumente. O problema é que, pela maneira com que esta lei está sendo construída no Brasil, são os movimentos populares que criticam ou contestam o Estado que acabarão sofrendo as consequências, caso essa lei seja aprovada. Como já foi dito que é feito em relação aos movimentos de resistência popular árabe, a direita brasileira vai aproveitar a lei para vincular os movimentos sociais ao terrorismo, aumentando ainda mais a criminalização da luta social e a repressão. Não podemos vacilar em relação a isso, e devemos lutar pelo direito legítimo de organização e de luta popular, que nada tem a ver com o terrorismo.

16 de novembro de 2015 at 11:32 pm Deixe um comentário

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