1° de Maio de Luta na Sé marca dia resistência das mobilizações populares

2 de maio de 2014 at 8:33 pm Deixe um comentário

 

02 de maio de 2014
INTERSINDICAL – Central da Classe Trabalhadora
Neste ano, o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores foi marcado pela forte presença dos movimentos de moradia

 

_DSC1893Ozani Martiniano, educadora da rede pública estadual de São Paulo e candidata à presidência da APEOESP pelo Bloco de Oposição Educação, Movimento e Luta

Centenas de trabalhadores de diversas categorias estiveram presentes na Praça da Sé para a manifestação do 1° de maio, Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. Organizada pela INTERSINDICAL Central da Classe Trabalhadora, Pastoral Operária, movimentos sociais e outras entidades, esta atividade demarca um contraponto de resistência a centrais sindicais que esvaziam a politização de suas reivindicações para realizar atividades marcadas por acordos com patrões, governos e sorteios de casas e apartamentos, a fim de ganhar visibilidade junto à mídia hegemônica em detrimento das reais demandas da classe trabalhadora.

_DSC1859Ao contrário, o 1° de maio de Luta, como é chamada a atividade da Sé, é marcada pela ação unitária entre centrais sindicais, sindicatos e movimentos sociais realmente alinhados à esquerda e comprometidos com as lutas populares concretas. Neste ano, o ato contou com a expressiva participação dos movimentos sociais de moradia popular, como Terra Livre, MTST, Resistência Urbana, Movimento Anchieta de Luta por Moradia, entre outros.

Dirigente pela oposição do Sinpeem, Laura Cymbalista

Durante a manifestação, diversas falas lembraram os milhares despejos de trabalhadores que aconteceram nos últimos anos por conta das obras para a Copa do Mundo, a higienização de áreas consideradas nobres ou turísticas das cidades que vão receber o megaevento e a precarização dos serviços públicos enquanto milhões de reais são gastos com o torneio da Fifa.

Os 50 anos do golpe militar financiado por empresários que perseguiu diversos sindicalistas e trabalhadores de base também foi muito relembrado, assim como o fato de ainda sermos constantemente atacados com ofensivas que cerceiam nossos direitos, como a Lei Antiterrorismo – que visa criminalizar as mobilizações populares –, e o braço militar do Estado que ainda é responsável por milhares de vidas interrompidas nas periferias do país.

A falta de políticas públicas adequadas para estrangeiros refugiados e a exploração do trabalho escravo destes foi outro demanda importante que também se destacou neste primeiro de maio. Além de manifestações de trabalhadores bolivianos, Ozani Martiniano, educadora da rede pública estadual de São Paulo e candidata à presidência da APEOESP pelo Bloco de Oposição Educação, Movimento e Luta, também prestou solidariedade aos milhares de haitianos e haitianas que buscam o Brasil como tentativa de uma vida melhor, mas "se deparam com a fragilidade do Estado em oferecer direitos básicos a estes refugiados", disse ela.

Nádia Gebara, assessora do Sindicato dos Químicos Unificados de Campinas, Osasco e Vinhedo, também recordou os companheiros colombianos assassinados e outros que ainda sofrem com ameaças por encamparem luta contra a multinacional Nestlé e pediu um minuto de silêncio a todos que participavam do ato.

A respeito das lutas da educação, a professora da rede pública municipal e dirigente pela oposição do Sinpeem, Laura Cymbalista, chamou atenção para a segunda greve apenas neste ano por melhorias urgentes na educação municipal e contra a precarização do trabalho do educador. "Estamos enfrentando um governo truculento, que na nossa última assembleia disse à categoria que ia cortar o ponto dos profissionais para amedrontar e diminuir a greve. Mas a gente respondeu com luta e seguimos em greve", esclareceu.

A atividade também contou com participação músicos populares de viola e rap, apresentação de dança tradicional boliviana e apresentação teatral. Todos e todas que se opõem ao entendimento mercantil de atividades culturais enquanto mera atração para diversão do público e que se reconhecem, portanto, na luta cotidiana da classe trabalhadora.

Veja as fotos do 1 de maio na Praça da Sé

Fotos: Nelson Ezídio

Assista o Vídeo

1 de Maio Classista e de Luta na Praça da Sé com show musical de Rap Revoluncionário! A Intersindical Central da Classe Trabalhadora presente! Por Carlos Roberto Kaká

Por Carlos Roberto Kaká
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