Primeira manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público é reprimida

8 de junho de 2013 at 3:59 pm Deixe um comentário

07 de junho de 2013
INTERSINDICAL – Por: Alexandre Maciel – Fotos Alexandre Maciel

A atividade foi marcada por grande número de jovens e violência policial

aumento das passagens em SP 1Cerca de 4 mil manifestantes se reuniram ontem em frente ao Teatro Municipal para protestar contra o aumento das passagens. Pessoas de todos os cantos da cidade, especialmente jovens, saíram em caminhada e seguiram em direção à Prefeitura de São Paulo, passaram pelo Vale do Anhangabaú e bloquearam completamente a bifurcação entre as avenidas 23 de Maio e 9 de Julho.
No entanto, a atividade que deveria ser pacífica foi alvo de diversos ataques da polícia. O primeiro aumento das passagens em SPaconteceu ali mesmo, próximo à bifurcação, na região do Terminal Bandeira. Ao se aproximar dos manifestantes, os policiais não pouparam bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Não houve conversa, não houve tentativa de acalmar os ânimos. A missão do corpo policial era clara: reprimir o protesto por meio da violência. Quem esteve lá não teve dúvidas.
A estação do Metrô Anhangabaú foi fechada, trabalhadores que passavam pelo local tiveram dificuldades de entrar e se intoxicaram com a densa fumaça que tomou conta do local. Nem os agentes a serviço do Metrô escaparam. Curiosamente, já neste momento inicial, muitas pessoas relataram que tinham a impressão de que a composição do gás parecia estar mais forte, demorando mais para dispersar e causando uma sensação de intoxicação mais aguda.
A partir deste episódio seguiu-se, literalmente, uma perseguição por parte da polícia que se estendeu pela Avenida 9 de Julho até o fim do ato, que deveria ter acontecido na Praça Oswaldo Cruz. Enquanto os jovens seguiam em direção ao Viaduto Dr. Plínio de Queirós, para alcançar a região do MASP, na Avenida Paulista, a Policia Militar seguia o bloco de longe, porém sempre lançando bombas de efeito moral e atirando com armas de bala de borracha. No intuito de gerar alguma defesa, pequenas barricadas foram montadas durante o caminho com materiais que encontravam pela rua.
Já na Avenida Paulista, o trânsito no sentido Paraíso foi bloqueado e o protesto seguiu por esta via. Entretanto, quando a PM chegou, a reação não foi diferente da atuação vista minutos antes. Pelo contrário. Mesmo com o grande público que lotava as cadeiras dos bares nas calçadas, os tiros e lançamentos prosseguiram com maior intensidade. Em meio aos ataques e os elementos da rua que eram utilizados como barricadas, clientes tentavam se proteger entrando nos bares e formando grandes tumultos.
A intenção de realizar a dispersão da atividade na Pça. Oswaldo Cruz, por volta das 20h30, foi frustrada pela ira da polícia que seguiu com sua ofensiva. Alguns jovens tentaram se proteger entrando no Shopping Paulista, que, por mais de uma hora, permaneceu obstruído por um grande número de policiais que decidiam quem poderia entrar ou sair do local.
Outros manifestantes tiveram de seguir pelas ruas do bairro, com receio da polícia que ainda rondava as ruas, como se estivessem procurando criminosos.
O aumento
Desde o último domingo (2) as tarifas dos ônibus, do metrô e dos trens da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) aumentaram de R$ 3,00 para R$ 3,20. Um reajuste de 6,7%.
No Rio de Janeiro, Natal e Goiânia também houveram protestos
Em São Paulo já estão marcadas novas manifestações para esta sexta-feira (07), às 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste e na próxima terça-feira (11), também às 17h, na Praça do Ciclista, na Avenida Paulista.

Em defesa dos trabalhadores e pelo livre direito de se manifestar
A INTERSINDICAL repudia a violência aplicada por parte da Polícia Militar do Estado de São Paulo na noite de ontem. A ofensiva em níveis de guerra civil contra manifestantes que não aceitam o aumento sobre um valor que, em si mesmo, já é um absurdo, só demonstra que o Governo do Estado e do Município estão totalmente unidos e não medirão esforços para seguir em frente com seu modelo de gestão privatista.
Lutar é um direito de todos e todas, assim como o acesso à cidade que, com este reajuste, se torna ainda mais comprometida para a classe trabalhadora.

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