SE UM EXISTE OUTRO SOME

21 de junho de 2012 at 9:50 pm Deixe um comentário

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O  Instituto Zequinha Barreto e  o Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco convidam para a peça SE UM EXISTE OUTRO SOME

de Oduvaldo Viana Filho, com encenação do Coletivo Partida Teatral.

Domingo, dia 01 de julho de 2012 – às 19h00.
Local: Sindicato dos Químicos Unificados – Regional Osasco                               Praça Joaquim dos Santos Ribeiro, 265, Bairro km18 – Osasco, SP.

O que existe e o que some?

por partidateatral

A peça “Se um existe outro some” foi construída a partir da obra “Os Azeredo Maisos Benevides”, de Oduvaldo Vianna Filho, o Vianinha. Na obra, o autor, em busca de uma dramaturgia que colocasse em questão os problemas brasileiros, se aproxima do teatro épico dialético de Bertolt Brecht. Vianinha tenta dar conta de uma série de temas relacionados à formação e operação do capitalismo no Brasil a partir da história da exploração de um grupo de lavradores que vão para a Bahia plantar cacau nas terras de uma família burguesa carioca

A peça procura desmascarar os mecanismos de sustentação do capital, ao mesmo tempo em que trata de elementos especificamente brasileiros, como as relações de favor que escamoteiam a exploração no campo, os ciclos econômicos de modernização conservadora, que geram riqueza à burguesia nacional, dependência ao capital estrangeiro e submetem os pobres à miséria e a processos contínuos de expulsão de suas terras. O Estado é exposto como instrumento usado pelas classes dominantes para legitimara violência e garantir a manutenção da ordem social.

O Brasil moderno nasce desses processos, que se encerram, ou recomeçam, na expansão das periferias das grandes cidades. No campo, prevalece a concentração de terras e a produção baseada na exportação de produtos primários. Um número reduzido de corporações estrangeiras, associadas a grandes fazendeiros, controlam a produção dos principais gêneros agrícolas. A propriedade rural continua inquestionável, ainda que a maioria dos latifúndios seja fruto da grilagem de terras.

A violência, via polícia, Justiça ou pistolagem, oprime os que se levantam contra essa ordem bárbara. Até hoje não se fez reforma agrária, apesar da luta incansável dos MST. Mais de 100 mil famílias permanecem acampadas pelo país e milhares de trabalhadores ainda são submetidos à escravidão. Este cenário impele jovens e famílias inteiras a migrarem para as caóticas e saturadas cidades grandes, onde irão competir freneticamente por trabalho e moradia.

Acreditamos que as contradições elementares da modernidade permanecem mais vivas do que nunca. Em São Paulo, a geografia nos permite saber bem onde estão os de baixo e os de cima. A luta de classes, com novas cores e feições, se coloca a cada instante diante de nós. A avalanche neoliberal no pós-guerra fria promoveu, no Brasil, o descenso na luta de massas. Impôs, por meio do mercado de trabalho, dos veículos de comunicação e de todos os aparelhos do Estado, a ideologia do individualismo, da atitude individual como solução para superar os problemas e do consumo como mecanismo para apaziguar nossas insatisfações.

Nas periferias, o recente aumento da mobilidade social – que, obviamente, não é algo negativo – fortaleceu os discursos que enxergam na igualdade de oportunidades a chave para resolução dos problemas do povo, como se houvesse espaço para todos. Num cenário como este, processos coletivos são vistos com desconfiança. É negada a todo instante a dimensão social, histórica e coletivado homem.

Acreditamos que o teatro pode ser uma instância potente para a reflexão coletiva sobre questões que se abatem sobre o povo brasileiro. Nesse sentido, “Se um existe outro some” nos ajuda a refletir sobre um pouco da história do nosso país, história que está presente na vida de cada um de nós.

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