“Vamos seguir lutando”

5 de março de 2012 at 12:02 pm Deixe um comentário

 

Despejados em plena madrugada de Carnaval da Moradia Retomada, alunos da USP permanecem mobilizados; Show Protesto reuniu 5 mil

02/03/2012

Aline Scarso

da Reportagem

Moradia_USP_Silvia-Zamboni-Folhapress

Estudantes levados ao 14º DP, em Pinheiros, após a reintegração 3

de posse executada pela PM – Foto: Silvia Zamboni/Folhapress

Conjunto Residencial da USP (Crusp). Tarde da sexta-feira (24). Cinco dias depois da Polícia Militar do estado de São Paulo ter realizado a reintegração de posse do espaço conhecido como Moradia Retomada, na madrugada do domingo de Carnaval na Universidade de São Paulo (USP).

O local de encontro é um apartamento estudantil. Apertado. São três quartos e uma pequena sala que atualmente abrigam sete pessoas, quatro delas estudantes desalojados pela PM. De forma solidária, moradores do Crusp oferecem abrigo provisório para os mais de 40 estudantes despejados.

No dia 17 de janeiro uma ordem judicial foi publicada e autorizava a reitoria a realizar o despejo até o dia 6 de fevereiro. Veio mais tarde, e amparado juridicamente, no último dia 19. Na ocasião, 12 estudantes foram presos, entre eles uma menor de idade, e soltos após pagarem uma fiança de R$ 207 cada. Responderão por desobediência e danos ao patrimônio.

Apesar de pertencer à moradia estudantil, parte do bloco G, um dos oito blocos do Crusp, estava sendo utilizada para serviços de burocracia da Coordenadoria de Assistência Social (Coseas) até o dia 17 de março de 2010, quando foi ocupado por alunos que não passaram no processo seletivo para morarem nos apartamentos estudantis. A principal reivindicação era mais vagas à permanência estudantil.

A reportagem do Brasil de Fato conversou com três estudantes que foram presos durante a desocupação e uma caloura que desde o início de fevereiro estava na Moradia Retomada por não ter onde ficar. Eles são Rosi Santos e Augusto Rolim Saraiva. Os outros dois preferem não revelar os nomes por medo de represálias. Confira.

Brasil de Fato – Vocês dizem que não esperavam a reintegração de posse naquela noite de Carnaval e estavam despreparados. Como foi que aconteceu o despejo?

Rosi Santos – As pessoas estavam dormindo, com exceção de Augusto e eu. A gente percebeu uma movimentação e avisamos os moradores, mas os PMs já estavam dentro da casa. Em nenhum momento eles bateram na porta e pediram para a gente sair para fazer vista do pedido de reintegração de posse. Os vídeos mostram que o oficial de Justiça entrou depois. Normalmente quando acontece uma reintegração de posse o oficial de Justiça lê o pedido de reintegração e a polícia pede para as pessoas saírem do local. Na Moradia Retomada, além deles não terem avisado que iam entrar, eles fizeram a gente ficar na casa. Tanto é que os vídeos mostram eles nos dizendo: “fiquem nos quartos”. A outra questão é a presença do oficial de Justiça, que estava no local, e não mostrou o pedido de reintegração de posse. No início os policiais disseram que nós seríamos liberados, então a gente desceu pra sala com muita tranquilidade, sem nenhuma resistência e aguardamos a liberação. Mas depois de algumas horas nessa situação, eles disseram que a gente iria para um ônibus, ou seja, que a gente seria preso. Começamos a perguntar porque isso aconteceria se a reintegração de posse já tinha sido feita. Não foi encontrado nada ilícito e não tinha nada que justificasse a gente ser levada para a delegacia [14º DP em Pinheiros].

Augusto Rolim – Foi um aparato de guerra utilizado contra a gente. Com certeza eram mais de 200 homens da Tropa de Choque, tinha helicóptero, e há relatos de que um batalhão da cavalaria no Portão 1 esperava para agir caso o comandante acionasse. Além de toda essa operação de guerra eles bloquearam a entrada de vários blocos do Crusp para impedir que os moradores descessem para socorrer o pessoal que estava na Moradia. Eles também entraram em andares do Bloco G, vizinhos à Moradia, e obrigaram os moradores a sair dos apartamentos, alguns até [saíram] com roupas íntimas e não deram nenhuma justificativa para isso. Revistaram os apartamentos em busca de algum estudante “subversivo” ou algum fato que pudesse incriminá-los. Uma questão muito marcante foi que, quando eles entraram na Moradia, além de exigirem o RG de todo mundo, também exigiram a carteirinha USP, o que mostra que eles estavam querendo provar que a Moradia Retomada era algo estranho à universidade, ocupado por pessoas que não têm vínculo com a USP, o que é uma grande mentira que o coordenador da Coseas, Waldir Antônio Jorge, vem reproduzindo há muito tempo. Na verdade, aquilo sempre foi uma moradia de estudantes da USP que abrigou estudantes de cursinhos populares aqui da Universidade, mas sempre todos foram estudantes e majoritariamente alunos da USP. Tanto é que no dia da reintegração eles encontraram 12 estudantes, sendo que desses três eram garotas namoradas de moradores e que estavam de visita. Algo super normal. Felizmente eles não conseguiram imputar essa pecha na Moradia, um argumento que poderia convencer uma classe média mais conservadora, mas nem isso eles conseguiram.

Moradia_USP_USP-em-Greve

Alunos protestam contra o fechamento do espaço que servia de

moradia para 40 estudantes – Foto: uspemgreve.blogspot.com

Mesmo com algumas passagens fechadas, muitos estudantes do Crusp conseguiram se dirigir até o bloco G e protestaram. Outros cruspianos filmaram a ação da polícia e fizeram uma série de vídeos. Como vocês receberam essa solidariedade do Crusp no momento em que estavam sendo presos?

Augusto Rolim – Na hora da operação muitos moradores protestaram contra a situação que o Crusp se encontrava novamente, sitiado pela Tropa de Choque da Polícia Militar, além de não quererem a reintegração. Vários moradores gritavam, inclusive foram para cima da assistente social Maria Rita Ribeiro Zalafi, que estava presente na operação junto com o coordenador da Coseas Waldir Antônio Jorge. Os dois precisaram da proteção policial para se defender desses moradores, que entenderam que eles estavam auxiliando a polícia. Alguns moradores revoltados, por não poderem descer do prédio, jogaram lixo pelas janelas. Alguns policiais atiraram com balas de borracha contra eles, inclusive as janelas do bloco F foram estilhaçadas. Tem vídeos e fotos sobre isso. E na hora que nós fomos levados para o ônibus, os estudantes se dirigiram para a rua e ficaram na frente do veículo para tentar impedir que fôssemos levados dali. Foi algo que marcou muito e nos sentíamos muito apoiados pois fizeram esse ato de solidariedade mesmo diante da presença de um aparato de guerra. Nisso a Tropa de Choque foi para cima deles, os afastou e o ônibus pode sair. E muitos moradores procuraram a gente para oferecer seus apartamentos e nos abrigar provisoriamente.

E como foi o tratamento dado a vocês na delegacia?

Jorge* – Quando a gente chegou à delegacia, ficamos na sala de espera aproximadamente uma hora, sem saber o que ia acontecer. Daí separaram homens e mulheres e nos levaram para celas. Elas eram muito pequenas, cerca de 2,5 metros por 3 metros, e o cheiro horrível de creolina e fezes, e havia sangue nas paredes. Ficamos ali todo o dia, com exceção dos períodos em que chamavam para pegar os dados pessoais. Em meu caso específico, eles perguntaram meu nome e eu respondi que todos os meus dados estavam no documento de identidade que estava com eles. Perguntaram mais coisas e eu me neguei a falar porque queria conversar antes com um advogado. Foi quando um policial me chamou de “filho da puta”, e começou a me chacoalhar. Eu fiquei quieto, e o delegado ria. Quando estava entrando na cela, me tiraram as coisas do bolso e me deixaram ficar com o cigarro e o isqueiro. Quando saímos para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito, me revistaram novamente, acharam o isqueiro e perguntaram: ‘o que isso faz aqui?’. Oras, foram eles mesmos que permitiram. Fomos até o IML sentados na parte de trás do camburão e que eles chacoalhavam constantemente. Sem ter onde segurar, eu fiquei todo machucado. No IML os PMs estavam presentes na sala do médico, que perguntou de onde provinha a ferida nas minhas costas e eu disse que havia sido no camburão, mas não podia me manifestar livremente, estava constrangido com eles ali. Diziam para não lhes interpretarem mal, que a polícia não era violenta. Depois disso, nós voltamos às celas

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Apesar de pertencer à moradia estudantil, parte do bloco G era

utilizada para serviços da Coseas – Foto: uspemgreve.blogspot.com

Augusto Rolim – Vale ressaltar outros aspectos ilegais de quando a gente chegou à delegacia. Primeiro, eles só colocaram a gente na cela pelo fato de nós nos negamos a dar depoimentos sem a presença de um advogado. Tomamos essa decisão de forma coletiva justamente porque sabemos como eles são, eles poderiam levar a gente a falar algo que pudesse nos incriminar e abrir processos contra a gente. O delegado ficou possesso e a gente foi firme e nos mantivemos sem falar, até que chegou a [advogada] Ana Lúcia Marchiori e nos orientou. Outra questão ilegal é que tinha uma menor de idade com a gente e ela ficou encarcerada por cerca de 3h em uma cela como se fosse uma pessoa maior de idade. Além disso, tem a forma como a polícia tratou a Paula, uma estudante grávida de seis meses. Primeiro ela foi arrastada da Moradia Retomada até o ônibus da PM simplesmente pelo fato de que queria que o Oficial de Justiça lesse a ordem de reintegração de posse, eles se negaram e então a arrastaram até o ônibus. Chegando à delegacia eles a colocaram nas mesmas celas que a gente ficou, que estavam em condições horríveis, sujas de dejetos humanos, não conseguíamos nem respirar. Ela começou a passar mal e a gente começou a fazer um estardalhaço porque poderia acontecer alguma coisa mais grave com o feto. Gritamos e batemos nas grades até que eles vieram e a levaram para um hospital. Ela chegou inclusive a desmaiar por conta da situação que passou.

Rosi Santos – Outra questão que realmente nos marcou foi o fato de que o médico do IML nos obrigou a ficar nuas. Dizia às mulheres que se elas não fizessem isso, ele não faria o exame e elas seriam obrigadas a voltar para a cela. Quando eu fui presa na desocupação da reitoria [da USP, em 8 de novembro de 2011], a gente foi examinada por uma médica mulher e os meninos por um médico homem. Foi super tranquilo e tudo foi fotografado. A gente levantou as partes onde tinha machucado. Dessa vez, não foi assim. Uma menina estava de vestido e mostrou as pernas. Aí o médico falou para ela levantar todo o vestido. E ela disse que estava sem sutiã. E ele respondeu que não havia problema, que teria que examinar todas nós nuas. A gente foi contra, mas não teve o que fazer e todas nós ficamos nessa situação. Eu acredito que tem um respaldo legal para fazer com que as pessoas se dispam, mas a questão é se havia necessidade. Não faz sentido para uma pessoa que foi presa pela PM por esconder machucados provocados por essa mesma polícia. É estranho esse procedimento, totalmente desnecessário, serviu para nos deixar em uma posição vexatória. Além disso, o exame foi super mal feito, ele não tirou foto, só olhou e anotou coisas que não pudemos nem olhar.

Uma estimativa do movimento estudantil da USP é que cerca de 800 pessoas ficam de fora do processo seletivo da Coseas para o Crusp. Por que é tão difícil morar no Crusp?

Jorge – O Crusp foi construído por conta dos jogos Pan Americanos de 1963 e a universidade prometeu naquele momento que as construções virariam moradia de estudantes. Depois dos jogos, a USP se retratou da promessa e os estudantes, aos poucos, foram ocupando os prédios. Eram 12 blocos. Com isso, a Universidade criou um instituto como se fosse a Coseas. Em dezembro de 1968, com a assinatura do Ato Institucional nº5, o Exército entrou e despejou os moradores dos blocos. Restaram 200 estudantes. Os prédios do Crusp ficaram esvaziados ou com outros usos, mas a função original se perdeu. Em plena ditadura destruíram três blocos e a reitoria ocupou outros dois, que são os blocos K e L. Em 1978, com a abertura do regime militar, os estudantes voltaram a ocupar os blocos. Até que aconteceu um acidente em 1984 e morreram duas pessoas que no meio de uma briga caíram do 5º andar. Foi nesse momento que a universidade aproveitou para instituir o Coseas e os estudantes também criaram a AmorCrusp (Associação de Moradores do Crusp). Em 2007, com a ocupação da reitoria, os estudantes conseguiram que se construíssem mais dois blocos de moradia, mas apenas um foi construído até agora, que é o bloco A1. Além disso, o reitor João Grandino Rodas prometeu devolver aos estudantes os prédios tomados pela reitoria, mas isso ainda não aconteceu.

Augusto Rolim – É interessante ressaltar que quando o Crusp tinha 12 blocos, ele já não atendia a quantidade de estudantes da USP que precisavam de moradia. Desde o final da ditadura até hoje, o número de estudante dobrou e o número de vagas só diminuiu. Hoje só temos oito blocos. E justamente o número de vagas só aumentou quando ocorreram as ocupações, como a ocupação de 2007.

Patrícia – Eu sou caloura e procurei a Coseas porque não tenho como me manter na Universidade. Meu curso é no período diurno e não tem como eu trabalhar. Quando eu passei no vestibular, eu conversei com uma assistente social que analisou meus papéis. Eu dependo do meu pai e ele recebe um salário mínimo e ainda paga aluguel. Mostrei para ela os comprovantes de renda e aluguel, e ela me perguntou como eu vivia com um salário mínimo. Eu não vivo, mas sobrevivo. Perguntou também como eu tinha conseguido passar no vestibular, e eu disse que trabalhei, consegui juntar um dinheiro e paguei um cursinho popular. Ela pediu para eu aguentar mais de um mês porque eu tenho o perfil de estudante do Crusp, mas não dá esperar, as aulas estão aí. Daí procurei a Moradia Retomada que me acolheu. Quando eu cheguei depois do Carnaval e vi que estava tudo fechado, não acreditei. A gente teve uma reunião na sexta-feira e comentamos que legalmente não era possível fazer reintegração no feriado, mas fizeram e agora não sei como vou ficar.

Jorge – Como estudante da USP, não entendo como o Waldir Antônio Jorge, um odontólogo, pode gerir uma assistência social. Segundo, por trás dessa política existe uma forma de acabar aos poucos com as vagas do Crusp. Eles podem argumentar algo como ‘ah, o bloco G tem uma fissura’, daí despejam o bloco. E assim bloco por bloco vão se perdendo. Para alguns estrangeiros a Coseas já disse ‘aqui não existe moradia estudantil’. Lamentavelmente o tratamento da USP para estrangeiros tem sido diferenciado. Estão deixando menos estrangeiros no Crusp, na tentativa de isolar os brasileiros para que não compartilhem outras experiências, fazendo realmente um controle ideológico. Também tem aumentado o nível de xenofobia por parte de alguns moradores do Crusp. Um amigo meu estrangeiro já recebeu xingamentos nazistas. O que fica claro é que as pessoas que sentiram o peso da PM na reintegração, sentiram também que a repressão está à porta. E que não importa se você respeita o regulamento da Coseas ou não. E não faz diferença ser estudante da USP, você pode ser criminalizado. Estou sendo criminalizado por morar na Moradia Retomada, mas eu não cometi crime algum, eu estudo muito, tenho boas notas, cumpro com meus trabalhos e relatórios. Eu só preciso de um lugar para morar e infelizmente quem está evitando isso é a mesma universidade, com seu sistema repressivo.

Quando houve a ocupação do bloco G em março de 2010, os estudantes descobriram que existe um sistema de vigilância implantado pela Coseas que registra, além da vida pessoal dos moradores, falas feitas pelos mesmos em assembleias e atividades políticas. Como é viver constantemente vigiado?

Jorge – Bom, além dos vigilantes da Coseas produzirem relatórios, eu já vi nas assembleias dos moradores do Crusp guardas e estudantes pró-Coseas tirando fotos das reuniões. Agora esse tipo de vigilância se intensificou com a PM no campus. Companheiras que foram presas durante a reintegração de posse da Moradia Retomada já foram até chamadas pelo nome por PMs aqui no campus. O que quer dizer que a gente está marcado.

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Bloco G: Segundo estimativas do movimento estudantil, 800 estudantes

tentam e não conseguem vagas no CRUSP – Foto: uspemgreve.blogspot.com

Augusto Rolim – Eu acho que o que está acontecendo é parte de uma política de Estado. A gente tem visto o que ocorreu em Pinheirinho e em outras desocupações, com o uso de repressão policial. E a gente sabe que o governo do PSDB tem o objetivo de sucatear e privatizar. No meio das férias, uma das medidas anunciadas pelo reitor Rodas foi a privatização do circular universitário, que era um serviço utilizado não só pela comunidade da USP, mas também por pessoas que visitam a universidade e moradores de comunidades próximas. Agora o circular vai ser operado pelo SPTrans e se você não tiver a carteirinha USP vai ter que pagar. O reitor também tem comprado prédios no centro de São Paulo por valores milionários, é investigado pelo Ministério Público por causa de esquemas suspeitos. Todos os setores que se colocam contra essa política, eles passam o trator em cima. No Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), todos os diretores estão sendo processados administrativamente. Um diretor [Claudionor Brandão] foi demitido [em 2009]. Sofrem ainda processos de escuta telefônica e de arapongagem. Entre os estudantes já tem mais de 100 processados. O Núcleo de Consciência Negra que tem um cursinho popular para estudantes carentes está sendo ameaçado de ser derrubado. O espaço do DCE foi lacrado. O estudante Nicolas, da USP Leste, reprimido no espaço estudantil. Oito estudantes foram expulsos no final do ano passado também por causa da Moradia Retomada. Então, a gente tem visto uma escalada repressiva muito grande na universidade no sentido de impedir manifestações políticas contrárias a esse projeto. E eu acredito que a única forma que os estudantes têm para reverter isso é fazendo um movimento muito grande junto com os funcionários e professores para derrubar essa ditadura na USP. Os estudantes estão em greve desde o ano passado, e agora a gente vai começar as aulas diante de um cenário de guerra. Precisamos denunciar o que está acontecendo aqui.

Jorge – Alguns acham ainda que esse é um debate entre a esquerda e a direita, mas para mim é um debate que deve discutir o futuro na universidade pública com espírito humano, que a USP está deixando de lado faz tempo. A USP está se elevando nos rankings internacionais, o que é obviamente importante, mas a que custo? Estudantes e professores sendo demitidos e expulsos, ingresso de capital privado em benefício à área privada. Realmente a luta dos estudantes é essa: manter a universidade pública e humana. Eu como estudante da USP quero estudar coisas voltadas para todos do país, esse é o trabalho dos estudantes. A gente tem que ter os impostos da sociedade sendo revertidos em benefício da população e não em pesquisas para melhorar os cosméticos, por exemplo.

E qual a expectativa de vocês para o próximo período?

Rosi Santos – A expectativa agora é construir uma grande greve, não é dispersar. A gente acredita muito nessa luta, queremos que a universidade pública continue pública. Em relação à Moradia Retomada, tiraram nossa moradia, mas não a nossa luta por moradia. Continuamos nos falando e cuidando um do outro. Todo o trabalho da Reitoria e da Coseas foi sempre desmoralizar aquele espaço. Com as nossas prisões se demonstrou que aquele espaço era sim um espaço de moradia, não era um ponto de droga, não tinha baderna, que eram estudantes que viviam lá, ou seja, se comprovou o contrário do que eles diziam. Essa reintegração fortaleceu ainda mais o processo de luta por permanência estudantil no campus porque demonstrou um grande apoio da comunidade do Crusp e um grande apoio da comunidade acadêmica em geral. A Moradia Retomada estava ali há quase dois anos, com uma luta justa e legítima por permanência estudantil. E mesmo antes o Crusp, que é fruto de ocupações, se solidarizou muito conosco. Vamos seguir lutando juntos.

Show Protesto

Na quarta-feira (29), cerca de 5 mil estudantes ocuparam as ruas da USP para assistir ao Show Protesto, que teve a participação das bandas BNegão SoundSystem, Patife Band, Isca de Polícia, Tulipa Ruiz e Arrigo Barnabé.

O show foi uma das atividades de uma série de manifestações políticas dos estudantes em greve contra a repressão promovida pela reitoria da universidade. No caminhão de som utilizado como palco, os estudantes estenderam uma faixa com um trecho da letra da música "Clara Crocodilo", de Arrigo Barnabé: “Quem cala consente. Eu não me calo”.

O reitor José Grandino Rodas tentou barrar o show, proibindo a entrada de equipamentos de som e de banheiros químicos na Cidade Universitária. No entanto, após pressão dos estudantes, através do Comando de Greve e com o apoio jurídico de advogados do movimento e do Centro Acadêmico XI de Agosto, o reitor acabou liberando a realização da atividade. Também foi garantida a venda de cerveja durante as apresentações.

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Luta pelo Brasil Agora é a vez mulheres

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