Desenvolvimento e crise do capitalismo no pensamento de Rudolf Hilferding

18 de dezembro de 2010 at 12:49 pm Deixe um comentário

Wilfried Dottschalch

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Rudolf Hilferding

1. Biografia

Rudolf Hilferding é originário duma família de comerciantes judeus.  Nascido em Viena, em 10 de agosto de 1877, frequentou o liceu e realizou estudos de medicina.  É na atmosfera liberal dessa cidade que se desenvolve seu caráter.  Até os anos da emigração, conserva qualquer coisa dessa indiferença vienense, indiferença muito ligada ao sentimento de viver o fim duma época.  Arthur Schnitzler, Joseph Roth, Stefan Zueig e Robert Musil souberam traduzir a atmosfera desses decênios que precederam a Primeira Guerra mundial.  Na Viena da juventude de Hilferding, ainda capital da Áustria-Hungria, a esperada queda da dupla monarquia e o medo do que lhe sucederia suscitavam um intenso apetite de viver, ao mesmo tempo que um movimento de despertar intelectual.  Sigmund Freud, Hugo von Hofmannsthal, Arnold Schönberg – esses nomes mostram bem como tradição e progresso  estavam ligados e a que ponto poderiam se nuclear numa mesma pessoa. Essa ambivalência é reencontrada no estilo de pensamento e ação de Rudolph Hilferding, que foi um analista crítico das relações sociais e políticas de seu tempo incapaz de passar da crítica à ação: estava, a cada vez, retido por dúvidas muito numerosas; muitos dos que o conheceram testemunham.

Após se formar, em 1901, doutor em medicina pela Universidade de Viena, exerce por alguns anos a profissão de pediatra.  Durante seus últimos anos de estudo, já participava do movimento socialista.  Desde 1902, trabalhava na Neue Zeit,  revista teórica do partido social-democrata alemão.  Em 1904, publicou sua obra polêmica:Böhm-Bawerks, Marx-Kritik.  Nessa obra, critica a teoria psicológica do valor.  Em 1906, torna-se professor da escola do partido em Berlim.  Muito rapidamente, teve que abandonar essa atividade para evitar de ser expulso pela polícia prussiana.  Torna-se, então, redator  do Vorwärts, o orgão central da social democracia alemã.  Sua obra principal, o Capital financeiro, foi publicada em 1910.

Durante a Primeira Guerra mundial, Hilferding opôs-se ao voto dos créditos de guerra pela fração social-democrata do Reichstag.  Quando, em 1915, o exército austríaco o mobiliza como médico militar, sai da redação do Vorwärts e, até o fim da guerra, dirige um hospital militar na frente italiana.  Em 1919, entra para o Partido Socialista Independente (USPD) e torna-se redator-chefe do seu jornal Die Freiheit.  Pertenceu a essa minoria do USPD que, após a cisão do partido em 1922, retorna ao Partido Social-democrata (SPD).

Tornando-se cidadão alemão em 1919, Hilferding é eleito deputado ao Reichstag de 1924 a 1933. No curso desses anos, dirige a revista social-democrata Die Gersellschaff.  Nomeado, pela primeira vez, Ministro das Finanças, de agosto a outubro de 1923, tenta introduzir a Rentenmark, mas fracassa, pois seu ministério dura apenas sete semanas.  Em junho de de 1928, é novamente Ministro das Finanças: retira-se em dezembro de 1929, em sinal de protesto contra as intervenções de Schacht, diretor doReischsbank, na política financeira do Estado.

Em 1933, Hilferding teve de emigrar.  Até 1938, viveu em Zurique e, em seguida, em Paris.  Sob o pseudônimo de Richard Kern, publicou cerca de 300 artigos de atualidades no Nouveau Vorwürts.  Ao mesmo tempo, dirige a Zeitschrift für Soczialismus.  O Manifesto de Praga, programa dos social-democratas no exílio, foi redigido sob seus cuidados.  Passa os últimos meses de sua vida em Arles.  É lá que escreve seu estudo inacabado: Das historische problem.

Em 11 de fevereiro de 1941, foi entregue às autoridades alemães pela polícia francesa, no mesmo momento que seu amigo Rudolph Breitscheid.  Segundo o testemunho de Wilhelm Högner, foi assassinado pela Gestapo.

A obra teórica de Hilferding se ordena em três fases: a primeira é consagrada à análise do Capital financeiro; a segunda desenvolve pesquisas sobre o capitalismo organizado; a terceira, finalmente, se dedica à análise das consequências, que daí resultam para o socialismo democrático, da dominação nacional-socialista.  No Capital financeiro, Hilferding recusa a teoria do colapso inevitável da economia capitalista, mesmo admitindo que a época do capitalismo financeiro, quando o capital está "nas mãos dos bancos" e à disposição dos industriais, é a última etapa do capitalismo.  Ele acha que a classe operária só provocará o colapso do capitalismo pelo combate político.

Após 1919, Hilferding se dá conta de que havia superestimado a vontade revolucionária dos trabalhadores.  É então que desenvolve sua teoria do capitalismo organizado: teoria que avança a tese duma transformação estrutural e não mais a do colapso do capitalismo.  Ele esperava que a democracia social pudesse ser realizada através de reformas pacíficas.

Na última fase, ele se ocupa principalmente de análises de política estrangeira e da relação entre a economia e a política no Estado nacional-socialista.  O valor duradouro desses últimos escritos reside no que Hilferding dizia sobre o problema da decisão política e da crítica da ideologia.

2. O problema do imperialismo no "Capital financeiro"

Os decênios que precederam a Primiera Guerra mundial estão marcados pela passagem do capitalismo de livre concorrência ao "capitalismo financeiro", "capitalismo organizado" ou "capitalismo de monopólio".  O aperfeiçoamento da máquina a vapor, a exploração da eletricidade em domínios sempre mais vastos, o melhoramento geral dos transportes, assim como o desenvolvimento e o crescimento da indústria química, criaram as condições técnicas para uma forte concentração da produção e da distribuição.  Graças às sociedades por ações, tornou-se cada vez mais fácil agrupar os pequenos capitais.  Chega-se finalmente a formar coalizões de empresas sob a forma de cartéis e de sindicatos.  Já não são mais as empresas individuais que se enfrentam de forma aberta, como outrora fora a regra, no tempo do liberalismo, mas são complexas organizações de capitais que geram a concorrência numa luta destruidora.

É durante esse período de desenvolvimento brutal do imperialismo que as grandes organizações capitalistas se desviam da ideologia liberal.  Elas adotam, em consequência, uma política de força: protecionismo e política dos canhões para sustentar seus interesses.  Desde 1878, essa política se impunha na Alemanha, fundada na aliança entre a indústria pesada e a grande propriedade fundiária em torno da questão do protecionismo.

Gustav Schmoller, que era então um dos mestres do pensamento da economia política, declarou: "Sem poder, nada de grandes Estados, portanto nada de desenvolvimento econômico, comercial e colonial…  Nesse domínio, o recurso à força é permitido, melhor: necessário, formador da Nação e de seus ideais legítimos"2.  Estava ali netamente o desvio da tradição liberal.  Entretanto, se tais concepções exerceram uma forte sedução nos meios da alta burguesia, os trabalhadores e os pequeno-burgueses, por seu lado, permaneceram na tradição liberal: achavam que as colônias não apresentavam nenhum interesse econômico e temiam os riscos e os custos duma política imperialista.

É assim que, na política da social democracia alemã, passaram ao primeiro plano: a reivindicação da liberdade de comércio, a recusa da política colonialista, o combate contra as despesas com armamento e a luta pelas liberdades burguesas.  Assim, fora a esquerda radical, agrupada em torno de Rosa Luxemburg – que defendia posições rigorosamente internacionalistas – e um pequeno grupo de revisionistas que, retomando teses de Gustav Schmoller, Max Weber e Friedrich Naumann, se declaravam favoráveis a uma "democracia imperialista"3, a social democracia alemã professava um "cosmopolitismo ingênuo"4,que a tornava incapaz de reconhecer as tendências de uma política imperialista e de desenvolvver uma concepção original e eficaz de política externa.    Assim, ao mesmo tempo em que havia acordo na recusa ao militarismo, havia pouco entendimento quando se tratava de pronunciar-se sobre as mudanças de estrutura do capitalismo que conduziriam ao imperialismo.  Por um lado, considerava-se a expansão do cpaitalismo como uma preparação importante do socialismo; por outro, recusava-se a política através de meios brutais que lhe estava necessariamente ligada.  É assim que os debates sobre os problemas do imperialismo5 se matêm num nível relativamen6te baixo até o aparecimento dos estudos de Rudolph Hilferding6 e de Rosa Luxemburg7.

Em seu livro o Capitalismo financeiro, Hilferding parte das transformações ocorridas desde a morte de Marx na estrutura econômica da sociedade.  Mas ele se apoia também nas observações através das quais Marx, procurando a fonte da concentração e da centralização do capital, a descobre – para além do jogo da concorrência -  no "sistema do crédito".

Segundo Marx, a formação de sociedades por ações conduz à transformação do capital privado em capital social e transforma o capitalista que dirige efetivamente uma empresa em simples administrador do capital de outro, do mesmo modo que o proprietário de capital em simples proprietário de dinheiro.

Hilferding pensa, assim, que a transformação estrutural do capitalismo está determinada pelo aparecimento e desenvovimento do mercado acionário.   A propriedade por ações separa a propriedade do capital da realidade efetiva da produção.  Ela libera o capitalista industrial da função de empreendedor industrial e permite a seus fundadores de apelarem a todo o conjunto do capital-dinheiro presente na sociedade.  "A sociedade por ações apela imediatamente ao conjunto do capital da classe capitalista"9.  Assim se realiza a expansão do capitalismo, liberado de tudo o que o ligava à propriedade individual, já não devendo mais levar em conta a não ser as exigências da técnica e da busca do lucro.

Incumbido aos bancos a decisão de fornecer o capital, estes preferem acordar créditos às sociedades por ações, às quais fica-lhes facilitada a supervisão da gestão financeira pelo envio de representantes aos seus conselhos de administração.  E como a sociedade por ações também pode reunir bastante facilmente um capital inicial, não há mais perigo de imobilização do ativo da empresa10.    A isso se acrescenta que os grandes bancos, que detêm todo o capital dinheiro e o colocam à disposição das grandes empresas, distribuem mais amplamente o crédito, acordando créditos de investimento sob a forma de créditos de emissão.  No caso do crédito de emissão, o banco não recebe um juros propriamente dito, mas o que se chama a parte do fundador.  Hilferding explica assim: substitui-se o capital portador de lucro por um capital portador de juros e os ganhos são, por sua vez, transformados em capital11.  Quando uma empresa tem como objetivo fazer 15% de lucro e a taxa de juros é de 7,5%, ela pode, transformando-se numa sociedade por ações, vender ações por uma soma que monta ao dobro do capital realmente investido.  A diferença entre a soma que deve render 15% de juros e da que deve render 7,5% , portanto a diferença entre os dois capitais – aquele sobre o qual é calculado o dividendo e aquele sobre o qual é calculado o lucro – dá a parte do fundador, que vai pro bolso do fundador, o enriquece e o reforça para novas operações12.  O aumento do capital duma sociedade por ações já existente pode também dar lugar a uma parte do fundador, quando seu lucro é maior do que a taxa média de juros13.

Como o crédito de emissão é um crédito a longo termo, isso de fato já significa uma participação do capital da banca na sociedade por ações, a qual pode supervisioná-la constantemente estando represrntada no seu Conselho de Administração.  Por esse meio, o controle do capital é cada vez mais centralizado;  se se acrescenta a isso que, seguidamente, só há necessidade de um terço, às vezes de um quarto do capital, ou menos, para dominar uma sociedade por ações – desde que (coisa que Hilferding tem por dada) a maioria das ações se encontre nas mãos de pequenos acionistas14.

Essa participação do capital bancário nas sociedades por ações acentua a dependência da indústria em relação aos bancos: "Uma parte sempre crescente do capital industrial não pertence mais aos insdustriais que o empregam.  Eles só dispõem do capital graças à banca que permanece proprietária dele.  Por outro lado, a banca deve imobilizar uma parte sempre crescente de seus capitais na indústria.  É assim que ela se torna um capitalista industrial numa escala cada vez maior.  O capital bancário, vale dizer, o capital sob a forma de dinheiro, na realidade, é dessa forma transformado em capital industrial – é isso que eu chamo de capital finaceiro"15.

A ligação entre os grandes bancos e a indústria muda igualmente o caráter da concorrência capitalista.  À competição dos primeiros tempos do capitalismo (na qual os fortes aniquilavam os fracos), sucede um combate entre iguais, dado que as pequenas empresas foram eliminadas ou absorvidas pelo grande capital16.

Enfim, a concorrência custa demasiado caro ao grande capital.  E também cede o lugar à aliança entre aqueles que até então se combatiam.  Doravante eles tendem a desenvolver meios de produção e mercados comuns.  É com o suporte dos bancos que nascem os cartéis, os trustes e os monopólios, pois justamente os bancos, que mantém relações com numerosas sociedades evitam uma concorrência prejudicial aos interesses de seus clientes.

Essa estreita interdependência entre os interesses dos bancos e os interesses da indústria determina também, segundo Hilferding, um crescimento da concentração bancária.  Se os bancos quiserem estar à altura das exigências da grande indústria, deverão dispor de um capital cada vez mais potente.   Prevê um tipo de tendência que deveria conduzir "a que um banco ou um grupo de bancos viesse a dispor de todo o capital dinheiro.  Um tal ‘banco central’ controlaria assim toda a produção social"17.

A tendência à criação de um banco central vai junto com a tendência à criação de um cartel geral, o qual poderia então reger conscientemente o conjunto da produção.  A fixação dos preços seria assim puramente nominal: indicaria simplesmente a repartição do conjunto dos produtos entre os "senhores do cartel" e a massa dos outros membros da sociedade.  O cartel geral é a sociedade regida de maneira consciente numa forma antagonista.  O capital geralmente apareceria aí como uma força única que governa, de maneira soberana, o processo vital da sociedade – como força que dispõe imediatamente da posse dos meios de produção, das riquezas naturais e de todo o trabalho acumulado no passado.  Dispõe do trabalho vivo pela simples força das relações de propriedade18.

Segundo Hilferding, o fato do capital bancário e do capital industrial se unirem para formar grandes organizações monopolistas, deve se acompanhar de uma mudança nas relações entre a classe capitalista e os aparelho de Estado19.  Para ilustrar esse movimento, Hilferding toma inícialmente como exemplo a atitude dos empresários em relação ao protecionismo.  Lá onde o capital concorrencial se desenvolve relativamente cedo, como na Inglaterra, os capitalistas são partidários do livre comércio.  É de outra maneira na Europa e na América do Norte.  Nesses países em que os industriais estão atrasados em relação à Inglaterra, deseja-se a existência de direitos de aduana, a fim de poderem se desenvolver sem sofrer a forte concorrência inglesa.  Antes do período da maturidade, os direitos aduaneiros são empregados como arma defensiva dos fracos.  Mas as tendências ao monopólio os transformam em uma arma ofensiva dos fortes.20.  Além do mais, o direito de aduana permite aos cartéis jogar com as diferenças tarifárias entre países, quando a capacidade limitada de exportação já foi atingida.  Como o cartel exclui a concorrência interior, pode-se fixar o preço do mercado interno acima dos preços do mercado mundial, elevando para tanto o direito de aduana21.

Um meio ainda mais útil para estender seu próprio mercado consiste, quando possível, em anexar potências estrangeiras a seu próprio domínio econômico.  O capital financeiro precisa de grandes unidades de produção para seu desenvolvimento, a fim de baixar os preços de revenda e de refinar a divisão do trabalho.  Mas as grandes unidades de produção só são possíveis ali onde um complexo industrial estendido permite uma produção variada, ali onde as empresas se completam umas às outras, ali onde os caprichos da produção podem ser balanceados pela adaptação às diferentes condições locais.  É por isso que a política exterior do capital financeiro tende a dividir o mercado mundial em grandes complexos econômicos nacionais.22

Para melhorar a posição da economia nacional no mercado internacional, utiliza-se outros meios;  deseja-se, agora, vencer as barreiras aduaneiras estrangeiras: pode-se fazê-lo reforçando sua própria potência econômica, mas também elevando seus próprios direitos de aduana.  Na medida em que esses meios não resultem, "começa-se a exportar capitais fundando empresas no estrangeiro"23.  A capacidade de acolhida do mercado estrangeireo aumenta com essa exportação de capitais.  Deseja-se derrubar todos os limites impostos à exportação de mercadorias.  A abertura de novos mercados pode dar fim à depressão industrial, prolongar a duração da prosperidade e atenuar os efeitos de uma crise.  Ela incrementa a produção no país e eleva a demanda  de mão-de-obra.  Os sindicatos podem, então, obter a satisfação de um grande número de suas reivindicações.  Parece que as tendências do capitalismo à pauperização foram superadas nos países em que o capitalismo já é antigo.  "O crescimento rápido da produção impede de tomar consciência dos malefícios da sociedade capitalista e engendra uma concepção otimista quanto à sua vitalidade."24

Doravante, será menos a falta de capital do que a falta de trabalho "livre" – quer dizer, de trabalho assalariado – que será o obstáculo à abertura de novos mercados.  Como sempre, quando sua necessidade de expansão encontra dificuldades que só poderiam ser superadas lentamente por meios econômicos, o capital apela ao poder político.  Este deverá encontrar nas colônias a mão-de-obra assalariada necessária, recorrendo à expropriação e a outros métodos coercitivos: roubo de terrenos, impostos elevados, extermínio de indígenas inaptos para o trabalho, importação de colonos, tais são os meios da política colonial.  A exploração das pessoas de cor, sua "educação para o trabalho" transformaram-se em "ideia econômica"25.

Lá nas regiões mais atrasadas em que já existia um aparelho de Estado local, desenvolvido ou em germe, ele foi utilizado pelos Estados capitalistas avançados.  Estes ensaiam, de maneira sempre mais insistente, impor pela força as relações do direito capitalista aos territórios submetidos.  Não recuam diante do emprego da violência e, se for o caso, destroem o sistema político existente. Mas o capital importado aumenta as oposições políticas nos países recentemente abertos.  Nos países submetidos desperta a consciência nacional.  "O próprio capitalismo fornece progressivamente aos que lhes estão submetidos os meios e as vias da libertação.  O objetivo que, de outra feita, fora o objetrivo mais elevado das nações europeias, quer dizer, a criação de um Estado nacional unificado, instrumento da liberdade econômica e cultural, torna-se também o seu.  O movimento de independência ameaça o capital europeu nos territórios mais valorizados e promissores entre os que estão submetidos à sua exploração; ele só pode manter a sua dominação recorrendo cada vez mais à força."26

Assim, a exportação do capital é o motor da política imperialista.  Ao mesmo tempo, transforma todas as relações sociais nas regiões atrasadas.  Em cada um dos países que ela abriu à sua dominação, ela ensaia desenvolver o capitalismo, "sempre no nível atingido pelo país mais avançado"27.   Mas é assim que a concorrência se acirra no mercado mundial.  Ela não se exerce mais sobre o mercado de mercadorias, mas sobre o de capitais, no qual se concede empréstimos assim que o devedor se compromete a uma compra ulterior de mercadorias.

Portanto, segundo Hilferding, a luta pelo escoamento das mercadorias conduz à luta por uma esfera reservada de aplicações de capitais.  Entretanto, no mercado de capitais, a perequação internacional das taxas de juros coloca, guardadas as proporções, limites estreitos à concorrência econômica.  A luta econômica se transforma rapidamente em luta política.  Esta persegue três fins: "Em primeiro lugar, o estabelecimento de uma zona econômica, a maior possível, que – em segundo lugar  – esteja fechada à concorrência estrangeira por barreiras aduaneiras e – em terceiro lugar – venha a ser por isso uma zona de exploração reservada para o conjunto dos monopólios nacionais"28.   Então, os conflitos internacionais se agravam.  Por causa da política econômica do capital financeiro, os concorrentes se transformam em inimigos.  Na luta pela colocação dos fundos nos pequenos Estados, atualmente, é sobretudo a diplomacia que tem a tarefa de representar o capital financeiro.  Quem quer obter fundos deve se situar entre os satélites do país dispensador, o qual assume o papel de protetor.29

Apesar de tudo, Hilferding contava com uma política internacional de ganhos, que ele supunha que traria de volta a política de equilíbrio dos primeiros tempos do capitalismo.

O medo das vantagens que o movimento socialista tiraria de uma guerra poderia, segundo Hilferding, afastar o recurso a uma solução violenta dos conflitos internacionais.  Mas a decisão de fazer a paz ou a guerra não depende somente dos grandes Estados capitalistas, onde as tendências opostas ao militarismo são mais pronunciadas.  O despertar do capitalismo nas nações da Europa Oriental e da Ásia são acompanhadas de mudanças no equilíbrio das forças.  Essas mudanças, por suas consequências sobre os grandes Estados, poderiam provocar o desencadeamento de antagonismos latentes.30

Hilferding prevê não somente a Primeira Guerra mundial, mas também as transformações que surgiriam nos países em via de desenvolvimento.  Ainda que, nestes últimos, os capitais sejam menos caros e a mão-de-obra mais barata, eles cessam após algum tempo de se prestar à exportação de capitais.  De fato, o conflito de países em via de desenvolvimento com os países de capitalismo desenvolvido engendrou movimentos de indepedência nacional.  Mas nem sempre nasce uma "burguesia" nacional.  Em certos países em via de desenvolvimento, os movimentos de libertação favorecem, simultaneamente à industrialização, a ascenção de camadas até então desfavorecidas, o acesso a uma democracia igualitária, por vezes de tendências socialistas.  Assim, o temor de um crescimento de riscos políticos e econômicos conduz a este fato: que a exportação de capitais privados em nada corresponde à potência econômica dos países capitalistas.  Por outro lado, uma ajuda outorgada pelo Estado de um país capitalista aos países em via de desenvolvimento não vai sem problemas, pois não se pode evitar a influência da nação doadora sobre a política econômica interna e sobre a situação política geral do país recebedor; essa influência pode gerar uma certa desconfiança política.

Hilferding não mostra somente os efeitos que têm os ganhos políticos do capital financeiro sobre a política interior e exterior, examina também em que medida e como o prosseguimento de uma política de expansão revoluciona a concepção do mundo de amplos círculos da burguesia31:  notadamente, desvia-se das ideias humanitárias do liberalismo. Sim, o nacionalismo, que originalmente continha o direito dos povos a dispôr de si mesmos, deve agora justificar o fato de que uma uma nação reclame a dominação mundial.  O nacionalismo, o racismo e o militarismo devem justificar ideologicamente a sede de expansão da classe capitalista.  O nacionalismo permite apelar a todo o povo; força todas as classes sociais a uma ação comum contra outras nações.  O racismo dá à sede de dominação uma base pseudo-científica.  O militarismo é utilizado pela burguesia como um instrumento de potência e também como uma proteção contra seu próprio proletariado.  Essas três ideologias devem não apenas entusiasmar o povo pela política de expansão do capital financeiro, mas também o desviar da luta de classes.  O passado recente mostrou o quanto tais ideologias e tais mitos podem ser destruidores, quando se tornam, como Hlferding previa, os catalizadores de movimentos antidemocráticos.

Hilferding explica em detalhe como o capital financeiro modifica as relações de classes.  O capital financeiro unifica os interesses políticos do capital "e deixa todo o peso da força econômica pressionar diretamente o poder de Estado"32.  Supera a oposição que reina entre o capital industrial e a grande propriedade fundiária; o protecionismo assegura a comunidade de interesses dos dois grupos.  Permanece a preocupação com a questão operária.  Cada vez que a situação dos trabalhadores da indústria melhora, torna-se mais difícil reter no campo a mão-de-obra agrícola, o que provoca um desequilíbrio nos preços.  O temor ao movimento operário aproxima estas duas potentes classes sociais.33

O capital financeiro, por outro lado, chega a fazer das pequenas empresas as tropas protetoras da grande indústria.  Elas se tornam auxiliares das grandes empresas e dependentes delas.  A antiga atitude anticapitalista das camadas médias dá lugar a uma posição favorável ao grande capitalismo.  "Em contrapartida, elas se colocam numa oposição cada vez mais marcante em relação à classe operária, na medida em que empregam operários assalariados; pois é nas menores empresas que a potência das organizações de trabalhadores é mais forte"34.

Hilferding observou muito atentamente a evolução dos empregados35.  Na medida em que a função de direção está separada da propriedade da sociedade por ações, segundo uma gradação hierárquica, eles se tornam os verdadeiros mestres da produção.  Enquanto durar a ampliação das empresas de crédito, elas se interessam pelo desenvolvimento do grande capitalista.  Elas tomam menos parte à luta pela compra da força de trabalho do que à luta do capital pela expansão de sua zona de influência.  Enfim, a consolidação das sociedades por ações conduz ao fato de que os postos melhor pagos tornam-se cada vez mais o monopólio dos grandes capitalistas.  A origem pequeno-burguesa dos empregados os impede, entretanto, de compreender bem sua situação de classe.  Seu desejo de ser reconhecidos socialmente os têm afastados das concepções proletárias.  Do desenvolvimento rápido e da expansão rápida do capital financeiro, esperam retirar novas posições sociais.  "Socialmente fraca, essa camada de empregados, com suas relações nos meios do pequeno capital, suas maiores disposições para a atividade pública, é de uma influência considerável sobre a formação da opinião.  São os abonados aos órgãos especificamente imperialistas, os partidários das teorias das raças, os leitores de romaces de guerra, os admiradores dos heróis coloniais, os agitadores e a tropa eleitoral do capital financeiro."36

É assim, enfim, que Hilferding aborda a questão dos sindicatos.  Segundo ele, estes últimos favoreceriam a concentração do capital, a qual dá aos empresários mais força na luta pela compra da força de trabalho.   Mas, ao contrário, a faculdade de organização dos trabalhadores, concentrados nas grandes empresas, cresce igualmente.  As lutas salariais têm uma significação política cada vez maior.  "A guerrilha que os trabalhadores levam contra o empresário isolado dá lugar às lutas de massa…  A luta sindical desborda assim seu próprio quadro e torna-se, de algo que concerne unicamente a empregadores e operários, aos quais ela interessa diretamente, em algo geral da sociedade, dito de outro modo, num acontecimento político."37

Os trabalhadores aprendem que a luta, quando não é sindical, deve continuar no combate político.  É assim que se chega à formação de um partido operário, o qual "ensaia representar os interesses de classe dos operários em sua totalidade e, assim, supera a luta no interior da sociedade burguesa para transformá-la em luta contra a sociedade burguesa".38

A política de expansão do capital tem, então, consequências ambivalentes.  Por um lado, cresce suas chances de sobrevivência, pelo menos enquanto possa abrir novos mercados; por outro, aproxima a vitória do socialismo; não somente concentra a produção, mas ainda permite aos trabalhadores, reunidos nas grandes empresas, organizarem-se mais facilmente.  É por isso que a classe operária, afirma Hilferding, não deve favorecer a política imperialista: "Ao contrário, a vitória pode surgir sob a condição de se levar uma luta sem quartel contra essa política; esse é o único meio de o proletariado tornar-se herdeiro da civilização, após o colapso a que essa política deve conduzir; e que se trata realmente de um colapso político e social, não de um colapso econômico – este último não é em absoluto uma hipótese racional."39

Nessa época, então, Hilferding ainda pensava que o socialismo só poderia nascer da luta revolucionária do proletariado contra o capitalismo e o imperialismo.

Após a Primeira Guerra mundial, ele revisa essa concepção e começa a pensar que "a tendência histórica do capital financeiro" a se tornar um "cartel geral" permitiria, segundo as circunstâncias, "uma passagem pacífica" ao socialismo.40

3. Contribuição à crítica da teoria do capital financeiro

Em o Capital financeiro, Hilferding colocava em evidência tendências que se imporiam amplamente desde então.   Nenhum especialista sério em economia política poderia negar a dominação dos monopólios e dos oligopólios na economia.

Além disso, Hilferding desmascarava duas lendas que, ainda hoje, determinam a "falsa consciência" de muitos de nossos contemporâneos.  Uma pretende que o "reino dos gerentes" retirou dos proprietários o controle sobre o que estes possuiam.41 Outra, representada, grosso modo, por Edouard Bernsteín,  glorifica a sociedade por ações como meio de democratização do capitalismo.42 Na realidade, a sociedade por ações não implica nem a supressão das funções de controle da propriedade, nem sua democratização.  Mais do que isso, as funções de controle ficam concentradas nas mãos de um pequeno grupo de grandes capitalistas.  Hilferding tem razão quando diz:  "Os capitalistas formam uma sociedade na direção da qual a maioria deles não tem nenhum papel.  Os que dispõe verdadeiramente dos capitais de produção são pessoas que aportaram apenas uma pequena parte."43

Hilferding observou igualmente bem o nascimento da comunidade de interesses entre o capital bancário e o capital industrial.  Mas apresentou a evolução ulterior como a submissão do capital industrial ao capital bancário.  Na realidade, parece que Hilferding considerou uma fase de transição do desenvolvimento capitalista como sendo um período que deveria se prolongar.44 Mais tarde, ele expressou reservas quanto a esta afirmação.  Em seu artigo Gesellschaftsmacht oder Privatmach iiber die Wirtschaft (Poder social ou poder privado sobre a economia), ele não caracteriza mais o capitalismo financeiro como última fase do capitalismo, mas como "o início do capitalismo organizado"45.

Pode-se encontrar, na época analisada por Hlferding em seu livro, exemplos de empresas industrais que não tinham necessidade da ajuda dos bancos porque já possuiam importantes capitais: Fürst Henckel – Donnersmarck, Thiele – Winkler, Stumm, de Wendel, Röchling.  Em contrapartida, Thyssen colaborara com diferentes bancos.  Krupp e o Lloyd da Alemanha do Norte financiavam em conjunto suas minas de carvão.  A indústria química pode se autofunanciar sem a ajuda dos bancos, se se acredita em Craezer.  Na indústria eletrônica, que, não obstante, inícialmente era muito ligada aos bancos, a tendência à autonomia também triunfa.  Por vezes, as empresas industriais acabam mesmo por dominar os bancos.  É assim que Hugo Stinnes adquire a maioria das ações da Sociedade de Comércio de Berlim.46 O importante então para as grandes empresas industriais que não querem mais depender dos bancos é alcançar o autofinanciamento.  Cada vez mais seguidamente, as fontes de capitais lhe são abertas sob a forma de reservas para amortizações, redução do ativo e constituição de outras reservas, isso para permitir a acumulação.47 É raro ainda encontrar, no mercado de dinheiro, os capitais necessários à fundação de uma empresa.  Em numerosos ramos da economia, o porte mínimo da empresa e os custos iniciais necessitam um financiamento que deve se apoiar em grandes empresas ou em cartéis já existentes.48

Pode-se dizer, então, que o capital financeiro só teve preeminência na indústria à época da transição do "capitalismo de concorrência ao capitalismo de monopólio"49.  No período seguinte, é novamente o capital industrial que forma a base da dominação de uma camada social superior, constituída por um pequeno grupo de grandes acionistas.  O erro de Hilferdinge sobre a importância do capital financeiro repousa sobre o fato de que, tal como Rosa Luxemburg, ele dirige sua atenção para o processo de circulação e neglicencia as mudanças ocorridas no processo de produção.  É  isto que Lênin também critica quando escreve, a propósito da definição do capital financeiro por Hilferding como "capital que os bancos dispõem e que os industriais utilizam": "Essa definição é incompleta na medida em que não indica um dos momentos mais importantes: a concentração sempre maior da produção e do capital a um ponto tal que a concentração conduz e conduziu ao monopólio."50 Lênin coloca a gênese do capital financeiro, e o conteúdo desse conceito, na concentração da produção, nos monopólios nascidos dessa concentração e no domínio dos bancos sobre a indústria.51

Essa concepção unilateral de Hilferding, que  situa a origem do capital financeiro no sistema de trocas, forma uma parceria com a sua interpretação errônea da teoria marxista das crises.  Influenciado por Tougan-Baranovski52,  ele explica as crises não a partir da contradição entre o caráter social da produção e o caráter capitalista da apropriação, mas "a partir das condições especificamente capitalistas da circulação das mercadorias"53.   As crises não seriam outra coisa do que transtornos de eliquilíbrio, atentados às proporções entre as diferentes esferas da produção.54 Marx também reconheceu a desproporcionalidade como um momento da crise, mas a razão última da crise continua a ser, segundo sua teoria, "a pobreza e o fato das massas serem limitadas em seu consumo diante da tendência da produção capitalista a desenvolver as forças produtivas como se só a capacidade absoluta de consumo da sociedade devesse lhe fornecer os limites"55.

A essa teoria da desproporcionalidade se acrescenta, em Hilferding, uma suposição: um cartel geral poderia regular conscientemente toda a produção capitalista.  Admitir essa hipótese torna supérflua a solução revolucionária das contradições de ordem social existentes.  Ela suscita a esperança de estabelecer uma ordem socialista por reformas pacíficas.

Infelizmente, é uma utopia.  Na realidade, o cartel geral de Hilferding não tem mais nada a ver com o modo de produção capitalista, pois não se reencontra nele nem a produção de mercadorias, nem a troca, nem a venda, nem o trabalho assalariado.  Suprimindo a troca de mercadorias, suprime-se também a "mercadoria força de trabalho" e as relações capitalistas.  "O que toma o lugar pode ser: ou bem – como na Idade Média – uma relação de dominação aberta, ou bem uma economia comunitária socialista."56 Mas esta última não pode  resultar de uma política de reformas puramente.  Lorenz von Stein já dizia: "É do capital que os trabalhadores necessitam.  O capital não pode ser abandonado pelos capitalistas sem que eles mesmos não destruam sua posição social e econômica, porque cada indivíduo tem necessidade de seu capital para si mesmo."57 Como se pode fazer os capitalistas abandonarem todo o controle sobre a economia de outra forma que não seja pela luta de classes?  Essa consideração permanece válida, quer se seja favorável ou não a uma economia socialista.58 O fato de que, mesmo num Estado fascista, expropriações possam ter lugar não é uma prova em contrário.  Para começar, num tal regime, até o presente, a classe dos empresários nunca foi expropriada em seu conjunto.   Em segundo lugar, lá onde, sem que hajam expropriações, a economia foi tomada a cargo pelo Estado, as funções decisivas de direção da política econômica permaneceram nas mãos dos industriais.

Até a Primeira Guerra mundial, Hilferding crê firmemente que o colapso do capitalismo só pode ser provocado pelo combate político da classe operária.59 Não é senão nos anos 20 que ele esboça sua "teoria do capitalismo organizado", que conclui por uma transformação estrutural e não mais pelo colapso do capitalismo.

A associação dos industriais e a concentração dos capitais em algumas mãos conduzem a um crescimento da potência econômica  e à supressão quase total da economia concorrencial, o que é ainda reconhecido hoje em dia por aqueles que, como Hilferding, reclamam que o sistema do capitalismo seja suprimido.  Quando se fala do processo de concentração de capitais, não é  nenhuma questão de uma "forma de economia de mercado que fracassou", como o pensa Wilhelm Röpke60, mas de uma evolução histórica necessária.  Por todo o tempo que um crescimento da produção conduza a uma queda dos direitos de aduana, as tendências à concentração triunfarão sobre uma política de Estado que queira impedir a concentração do poder econômico e obrigá-la a dar marcha a ré.61

Hilferding negligenciou essa razão da concentração dos capitais porque ele privilegiava o aspecto jurídico-organizacional da concentração.  Sua insistência sobre o fato de a concentração das empresas (em razão das leis sobre as sociedades por ações62) poder crescer mais rápido do que a centralização da propriedade e a importância que ele atribui à forma de organização particular do capital financeiro o impediram de examinar bastante os outros momentos que favorecem a concentração do capital.

4. A concepção de Hilferding sobre o "capitalismo organizado" como primeiro estágio do socialismo

A doutrina do "capitalismo organizado" serviu de linha diretriz ao SPD durante os anos de estabilização relativa (1924-1929).  Já se pode encontrar o ponto de partida dessa teoria no "Capital financeiro", quando Hilferding descreve o cartel geral como a "sociedade conscientemente organizada sob forma antagonista"63.    Mas a novidade mais tardia é a esperança de que o socialismo possa ser atingido pela via da democracia parlamentar, portanto por meios não revolucionários – esperança de que o aparelho de Estado fique neutro na luta das classes e de que o tempo do capitalismo organizado suscite um período de "pacifismo realista", uma época sem guerra e sem intrigas imperialistas.

Hilferding emprega a expressão de "capitalismo organizado" pela primeira vez em 1915, quando escreve no Kampf, que o capital financeiro continha os germes necessários à transformação da estrutura econômica anarco-capitalista em uma estrutura de capitalismo organizado.

O enorme reforço do aparelho do Estado, que o capital financeiro e sua política desenvolveram, agiria nesse sentido.  "No lugar da vitória do socialismo, surge como possível uma sociedade na qual certamente a economia seria organizada, mas de maneira não democrática: na sua cabeça estariam unidos o poder dos monopólios capitalista e o do Estado; sob esses poderes, as massas, organizadas hierarquicamente, trabalhariam como funcionárias da produção.  No lugar da substituição do capitalismo pelo socialismo, aparece a sociedade do capitalismo organizado, sociedade melhor adaptada ás necessidades materiais das massas."64

Cinco anos mais tarde, Hilferding retoma essas ideias.  Em seu artigo Die Sozialisierung und die Machtverhältnisse der Klassen (A socialização e as relações de classe), dizia que a classe operária devia decidir se ela podia se contentar com uma economia capitalista hierarquicamente organizada ou se ela devia sobretudo exigir uma organização democrática e socialista da produção.  Se essa última concepção correspondesse aos desejos da classe operária, então o socialismo não poderia passar pela cooperação com os capitalistas, em qualquer forma de organização comum que seja, mas somente pela ejeção dos capitalistas da produção.65

Aqui, como em seu ensaio aparecido em Kampf, Hilferding pensava ainda que o movimento operário teria de escolher entre o capitalismo organizado e o socialismo democrático.  Mais tarde, ele concebe o fracasso da revolução como uma vitória do capitalismo organizado.  Se ele quisesse continuar a crer na vitória final do socialismo, ele deveria tentar explicar o capitalismo organizado como um estágio de transição em direção ao socialismo e fazer dele o fundamento da política social-democrata.  É assim que se pode interpretar a posição doravante reformista, e não mais revolucionária, que ele adotaria sobre os problemas da época e exporia na introdução ao primeiro caderno de Gesellschaft, a nova revista teórica do SPD. 66

A unificação do capital comercial, industrial e bancário aparece como a transição do capitalismo de livre concorrência ao capitalismo organizado.  Este último realiza a socialização do processo de trabalho de ramos inteiros da indústria e a unificação dessas indústrias.  A anarquia do capitalismo concorrencial cede lugar à ordem consciente e à direção da economia a favor das camadas que possuem os meios de produção.  Os meios dessa nova política são a distribuição planificada do investimento pelos grandes trustes, a disposição em reserva de certos investimentos de capital fixo, nos períodos de boa conjuntura, para reinjetá-los na economia nos períodos de depressão, a regulação do crédito pelos grandes bancos sustentados pela política financeira do banco central.67 Assim, o perigo do desemprego desaparece.  Uma política social inteligente seve de instrumento ao conservadorismo, integrando a classe operária a esse sistema econômico.68

Entretanto, como Hilferding o supunha, a "base antagonista" de uma tal organização da economia engendra inelutavelmente a luta de classes.   A usurpação da potência econômica e do produto social pelos que possuem os meios de produção assim concentrados é cada vez mais insuportável para a massa dos produtores.  Qanto mais a organização da economia é avançada, mais o caráter conscientemente regrado da produção está em contradição com o fundamento privado da propriedade, fundamento que remonta à época primitiva do capitalismo não organizado.  O poblema da democracia econômica se coloca então: Hilferding entendia por isto a regulamentação social consciente pela massa dos produtores.  A necessidade de aplicar atualmente as ciências sociais à organização social marca a passagem de um socialismo científico a um socialismo construtivo, cuja estruturação econômica se realiza segundo uma lenta evolução.  Só a passagem do poder de uma classe à outra pode se fazer de uma maneira revolucionária, quer dizer, num ato relativamente curto.69

A transformação psicológica dos produtores constitui a condição necessária à democracia econômica.  Também os problemas pedagógicos constituem uma base essencial da sublevação social.70

Sempre nesse mesmo artigo, considerado como essencial pelo SPD,  Hilferding expõe sua nova concepção da democracia.  Ela não consiste nem numa dominação exercida por todos, nem num nivelamento.  Ele não pensa "que se possa dar a todos as mesmas funções, nem que todos estejam aptos para elas".  Estima sobretudo que a democracia é um princípio de escolha, que ela é "a única seleção adaptada à sociedade moderna, na qual, de ínício, todos têm as mesmas chanches".  Ele espera que a democracia econômica fará triunfar essa igualdade de chances, que permite a cada um de atingir todas as funções – e mesmo as mais altas – segundo suas capacidades.71

Exatamente como a quinze anos mais cedo em o Capital Finaceiro, Hilferding descreve os cartéis e os trustes como centros de poder "que exercem sobre os cidadãos direitos reais mais importantes do que os direitos soberanos do Estado"72.   Como as cúpulas da hierarquia econômica se opõem ao fundamento democrático da organização política, as relações entre o Estado e os grandes monopólios tornam-se problemáticas: trata-se de decidir entre uma organização hierárquica e uma organização democrática da economia.73

As tensões sociais da sociedade capitalista não são atenuadas em nada.   A inflação, entanto que expropriação maior na história do capitalismo já rico em expropriações, teria enfraquecido e em parte destruído as camadas médias urbanas.  "Um elemento que ocupava uma posição intermediária no plano econômico e social, e desenvolvia posições conservadoras, e que ao mesmo tempo jogava um papel importante no plano cultural, é assim em grande parte eliminado da estrutura social."74

A agricultura conhece um desenvolvimento diferente do conhecido pela indústria; a guerra e os primeiros anos seguintes foram de conjunturas favoráveis.  Assim, a revolução agrária no Leste e no Sudeste da Europa fez nascer um grande número de pequenos e médios proprietários: está aí porque o campesinato sai reforçado da guerra.  Trata-se de uma tendência oposta ao desenvolvimento industrial das cidades, pois estas massas são fundamentalmente conservadoras e disposta a sustentar tendências conservadoras no interior da população industrial.

Após a guerra, o movimento operário alemão, como uma grande parte do movimento operário europeu, havia "vencido a grande aventura da democracia".    Assim, os operários consideravam a República como obra sua; o sistema política, outrora rígido, parecia ter se aberto à sua ação.  Esse não é mais o Estado democrático que representa um obstáculo, mas sobretudo certos movimentos e suas consequências intelectuais.  Isso devia modificar sua posição em face do Estado: os trabalhadores consideram doravante o Estado como o meio político que conduz à construção do socialismo.75

Hilferding viu que o capital estava cada vez mais concentrado e encontrava formas de organização cada vez mais elevadas.  Nenhum socialista consequente negará que a racionalização crescente, a imbricação internacional da economia, o relaxamento da relação funcional entre a direção da empresa e o proprietário do capital melhoram as condições e a possibilidade do socialismo.  Entretanto, Hilferding esboçava um quadro bastante harmonioso dos efeitos sociais do capitalismo organizado.  Esqueceu que a passagem de uma ordem econômica fundada sobre o capitalismo individual a um sistema de capitalismo organizado está ligada a duras lutas econômicas.   Em 1931, no Congresso Social-democrata de Leipzig, Fritz Tarnow fala dessa mudança de uma maneira polêmica, afirmando que era a passagem da "guerra civil" de burgueses contra burgueses a uma "guerra de bandos capítalistas"76.  De fato, nenhuma organização da economia foi realizada, mas uma organização de oligopólios e de monopólios que se fizeram uma guerra de concorrência sem perdão.

Uma das contribuições esseciais à teoria econômica desde a Primeira Guerra mundial é justamente a doutrina da "concorrência monopolista".  E. S. Chamberlin, Joan Robinson e Joseph A. Schumpeter reconhecem que os monopólios não suprimem a concorrência, mas permitem que ela se desenvolva num nível mais elevado77.  Monopólios e concorrência não se excluem um ao outro, Marx já o sublinhara quando escreveu: "Na vida prática, encontra-se não somente a concorrência, o monopólio e seus antagonismos, mas também sua síntese, que não é uma fórmula, mas um movimento.   O monopólio produz a concorrência, a concorrência produz o monopólio.  Os monopolistas se fazem concorrência, os concorrentes tornam-se monopolistas.  Se os monopolistas restringem a concorrência entre eles por associações parciais, a concorrência cresce entre os operários; e quanto mais a massa de proletários cresce em relação aos monopolistas de uma nação, mais a concorrência torna-se desenfreada entre os monopolistas de diferentes nações.  A síntese é tal que o monopólio não se pode manter a não ser passando continuamente pela luta da concorrência."78

Mas a concorrência não se desenvolve somente entre os monopólios dos diferentres países: ela existe também entre os monopólios de um mesmo país e, às vezes, mesmo no interior de um monopólio.

No interior dos cartéis e dos trustes começa a luta pela cota.  Com a estratégia dos preços, a da qualidade ("diferenciação do produto") e da publicidade, cada empresário tenta manter e organizar seu próprio mercado, reduzido e precário.79 A concorrência "benéfica" de tipo clássica é substituída por uma concorrência "de pilhagem" e "de agiotagem", ou bem simplesmente por lutas pela tomada de controle na esfera financeira.80 Enfim, novas formas de concorrência fazem sua aparição: ramos inteiros da produção lutam para acaparar o mais possível do poder de compra dos consumidores.  As novas invenções podem balançar os monopólios.  A demanda pode se deslocar para outros mercados, quando os preços dos monopólios ficam muito estáveis.  Na realidade do capitalismo organizado, isso é mais importante do que a concorrência dos preços: "É a concorrência da nova mercadoria, da nova técnica, da nova fonte de provimento e do novo tipo de organização.  Essa concorrência, que dispõe de uma vantagem de preço ou de qualidade decisiva, atinge as firmas existentes, não nos limites de seu lucro ou de sua produção, mas no seu fundamento mesmo, em sua verdadeira fonte de vida."81

Por outro lado, é possível que os preços de monopólio obriguem seguidamente outros ramos da produção a fabricar eles mesmos os produtos já fabricados em certos setores do monopólio.  Essa espécie de produção marginal matém igualmente a luta concorrencial.  A isso acrescentam-se outros problemas do capitalismo organizado: má racionalização, obstáculos artificiais à destruição do capital (e, portanto, sobrecarga da produção por custos arbitrários), preços artificiais que impedem a resolução da crise e que arriscam torná-la durável.  Da mesma maneira, o protecionismo não harmoniza em nada a economia capitalsita.82

Há, então, fortes tendências que tornam difícil um "estado de equilíbrio econômico" na base do "capitalismo organizado".  E pode-se conceber, com Schumpeter, que a prática do capitalismo organizado é uma fonte de perdas sociais – perdas que elevam os custos das campanhas publicitárias, a manutenção abaixo da média de novos métodos de produção (compras de patentes para impedir sua utilização), etc…83

Durante a crise econômica do fim dos anos 20, o próprio Hilferding começa a duvidar da exatidão da sua teoria sobre o capitalismo organizado.  Mas ele conserva dela o essencial84.  Atribui os erros de sua concepção ao fato de não haver sabido ver a importãncia da guerra e de suas consequências no desenvolvimento econômico. Não haveria visto que a violência da guerra engendrara desequilíbrios no interior das indústrias nacionais, entre os diferentes países, nos problemas de escoamento da produção, nas relações monetárias, etc… e que se deveria esperar a liquidação desses desequilíbrios gigantescos através de uma crise mundial.  A crise mundial atual, para ele, parecia ser verdadeiramente a liquidação fundamental da guerra.85 Hilferding via, portanto, as causas da crise econômica nas suas causas exógenas e não no próprio sistema do capitalismo organizado.  Assim, ele descartava a crítica à sua teoria da atenuação das contradições sociais e econômicas no interior do capitalismo organizado.

Notas:

1 A demanda à participação nessa obra coletiva me tendo chegado muito tarde, e os prazos acordados sendo muito curtos, fui obrigado a me apoiar amplamente em meu livro Strukturveränderungen der Gesellschaft und Politisches Handeln in der Lehre von Rudolf Hilferding, Berlin W.,1961, do mesmo modo que sobre o meu Ideegeschichte des Sozialismus in Deutschland, in Deutsches Handbubuch der Politik, vol. 3, dirigido por Helga Grebing.

2 Gustav Schmoller, Handels und Machtpolitik, 1900, vol. 1, p. 35.

3 Arthur Rosenberg, Demokratio und Sozialismus, Amesterdã, p. 328: "A democracia imperialista quer criar, com a ajuda de uma política de grande potência e de conquista, os meios de tornar possível a harmonia entre patrões e trabalhadpres."

4 Cf. Otto Bauer, Die Nationalitätenfrage und die Sozialdemokratie, Viena, 1907, pp. 265 sgg.

5 Cf. Kurt Mandelbaum, Die Erörterungen innerhalb der deutschen Sozialdemokratie über das Problem des Imperialismus, tese de filosofia, Frankfurt am Mazin, 1930.

6 Rudolf Hilferding, Das Finanzkapital, Eine Studie über die jüngste Entwicklung des Kapitalismus, in Marx-Studien, Viena, 1910, vol. 3.  Tradução francesa de Marcel Ollivier,le Capital finacier, prefácio de Yvon Bourdet, Paris, 1970.

7 Rosa Luxembur, Die Akkumulation des Kapital, 1912.  Tradução francesa,l’Accumulation du capital, Paris, 1969.

8 Karl Marx, le Capital, tome 1.

9 R. Hilferding, le Capital financier, p. 167.

10 Ibid, p. 170.

11 Ibid, p. 144.

12 Ibid, p. 144.

13 Ibid, p. 177.

14 Ibid, p. 157.

15 Ibid, p. 305.

16 Ibid, p. 272 sgg..

17 Ibid, p. 258.

18 Ibid, p. 349 sgg.

19 Ibid, p. 445.

20 Ibid, p. 460.

21 Ibid, p. 457.

22 Ibid, p. 462.

23 Ibid, p. 466.

24 Ibid, p. 473.

25 Ibid, p. 474.

26 Ibid, p. 480.

27 Ibid, p. 481.

28 Ibid, p. 487.

29 Ibid, p. 496.

30 Ibid, p. 499.

31 Ibid, p. 499 sgg.

32 Ibid, p. 509.

33 Ibid, p. 511.

34 Ibid, p. 520.

35 Ibid, p. 523.

36 Ibid, p. 527.  Trad. Fr. pp. 485-486

37 Ibid, p. 548.  Trad. Fr. P. 470

38 Ibid, p. 550.

39 Ibid, p. 511.

40 Rudolf Hilferding.  Die Aufgaben der Sizialdemokratie in der Republik, discurso ao congresso do SPD em Kiel, publicado em Berlim em 1927.

41 Cf. James Burnham, Das Regime der Manager, Stuttgart, 1919.

42 Eduard Bernstein, Die Voraussetzungen des Sozialismus und die Aufgaben der Sozialdemokratie, Stuttgart, 1894, p. 204.  Tradução francesa por F. Bon e M. A. Burnier, Paris, 1974.

43 Rudolf Hilferding, le Capital financier, p. 175.

44 Ver a esse respeito Paul Sweezy, The Theory of Capitalist Development, New York, 1956.

45 Rudolf Hilferding, Gesellschaftsmacht oder Privatmacht über die Wirtschaft, Berlim, 1931, p. 6.

46 Cf. Helmut Craezer, Das finanzkapital, Eine Kritik des Finanzkapitals von Rudolf Hilferding, tese de filosofia, Iena, 1923, p 277 sgg.  Sobre a fraca influência dos bancos na concentração da indústria química, cf. Jacob Riesser, Die deutschen Grossbanken und ihre Konzentration, Iena, p. 587 sgg.  Riesser mostra também os altos e os baixos da influência mútua e da incitação recíproca à concentração que existem entre a indústria eletrônica e os bancos.  Sobre o desenvolvimento das sociedades financeiras especializadas, nomeadas elektrobanken, cf.  Felix Pinner, Emil Rathenau, Leipzig, 1918.  Uma visão rápida da evolução da organização financeira da indústria no período compreendido entre 1875 e 1914, que concorda no essencial com a interpretação de Hilferding, encontra-se em Herbert Von Beckerath, Grossindustrie und Gesellschgaftsordnung, Tubingen, 1954, p. 15 sgg.

47 Entre os anos 1871-1875 e os anos 1950-1954, a cota de autofinanciamento em função dos investimentos netos passa de 4,39 a 30,90.  Cf. Walter G. Hoffmann, Die unverteilten Gewinne der Kapitalgesellschaften in Deutschland, in Zg. St, tomo 115, p. 277.

48 Cf. Erich Schäfer, Grunlagen der Betriebswirtschaftslehere, in HdW, Köln, 1958, vol. 1, p. 35 sgg.

49 Cf. também Henryk Grossmann, Das Akkumulation und Zusammenbruchgesetz des kapitalidtischen Systems, Leipzig, 1929, p. 572 sgg.

50 Rudolf Hilferding, le Capital financier, p. 336.

51 Lenin, l’Imperialisme stade suprême du capitalisme.

52 Michel Tougan-Branovski, Studien zur Theorie und Geschichte der Handelskrisen in England, Iena, 1901.

53 Rudolf Hilferding, le Capital financier, p.362.

54 Ibid, p. 393.

55 Sobre a crítica da teoria da desproporcionalidade, cf. Nathalie Moszkowska, Zur Kritik moderner Krisentheorien, Praga, 1935.

56 Henryk Grossmann, Das Akkumulation

57 Lorenz Von Stein, Gerchichte der sozialen Bewegung in Frankreich von 1789 bis auf unsere Tage, Darmstal, 1959, vol 1 (reprodução fotocopiada integral da 4a edição de 1921), p. 120.

58 Ademais de Lenin e Grossmann, Rosa Luxemburg e Fritz Sternberg (Der Imperialismus, Berlim, 1926) contestam igualmente que o capitalismo possa desprezar seus próprios problemas econômicos e políticos.  O imperialismo, segundo eles, procura somente um sursis para o capitalismo.

59 Nicolas Boukharin e Eugene Varga, tanto quanto Hilferding, tampouco contavam com um colapso econômico do capitalismo.  Eles pensavam que as classezs capitalistas de cada país precipitariam seus respectivos países em guerras para ampliar seus mercados.  Essas guerras imperialistas provocariam revoluções e mesmo guerras civis nas quais os partidos comunistas, apoiados pela União Soviética, poderiam provocar o colapso político do capitalismo.

60 Wilhem Röpke, Die Gesellschaftskrisis der Gegenwart, Zurique, 1942.

61 Cf. Fritz Voigt, Unternehnungszusammensclüsse Staatliche Politik in HdSw, vol. 10, p. 557.

62 Rudolf Hilferding, le Capital financier, p. 139.

63 Ibid.

64 Rudolf Hilferding, Arbeitsgemeinschaft der Klassen, in Der Kampf, outubro de 1915, p. 322.

65 Rudolf Hilferding, Die Sozialisierung und die Machtverhältnisse der Klassen, Berlim, 1920, p. 8.

66 Rudolf Hilferding, Probleme der Zeit, in Die Gesellchaft, 1924, a.1, vol. 1, p. 1.

67 Rudolf Hilferding, ibid., p. 2.

68 Ibid., p. 3.

69 Ibid., p. 3.

70 Ibid., p. 4.

71 Ibid., p. 4.

72 Ibid., p. 7.

73 Ibid., p. 8.

74 Ibid., p. 8 sgg.

75 Ibid., p. 13.

76 Fritz Tarnow, Kapitalistische Wirtschaftsanarchie und Arbeiterklasse, in Protokall Socialdemokratischer Parteitag, Leipzig, 1931, p. 39.

77 E. H. Chamberlin, Theorie of Monopolistic Competition, Cambridge, 1946; Joan Robinson, The economics of Imperfect Competition, Londres, 1933; J. A. Schumpeter,Kapitalismus, Sozialismus und Demokratie, Munique, 1950.

78 Karl Marx, Misère de la philosophie, in Werkes.

79 J. A. Schumpeter, Kapitalismus…, p. 131.

80 Ibid., p. 132.

81 Ibid., p. 140.

82 Cf. Protokall Socialdemokratischer Parteitag, Leipzig, 1931, p. 39 sgg

83 J. A. Schumpeter, Kapitalismus…, p. 132.

84 Rudolf Hilferding, Die Eigengesetzlichkeit der kapitalistischen Entwicklung, in Bernhard Harms, Kapital und Kapitalismus, Berlim, 1931, vol. 1.

85 Rudolf Hilferding, Gesellschaftsmacht oder Privatmacht über die Wirtschaft, Berlim, 1931, p. 9 sgg.

Tradução francesa por Martine Moreau.

Fonte: Histoire du marxisme contemporain; tomo 2.  Textos recolhidos e apresentados por Dominique Grisoni.  Milão: Giangiacomo Feltrinelli editore; Paris: Union Générale d’éditions, 1976, p. 11-47.

Fonte: Fundação Lauro Campos – http://www.socialismo.com.br

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